Bebê com problemas de coração pode e deve mamar no peito
Há muito tempo atendo e recebo mães com esta dúvida: o bebê com problemas de coração pode ser amamentado? Muitas vezes presenciei orientação para o desmame, com a explicação de que o bebê precisa fazer muito esforço para mamar no peito e por isso causaria muito cansaço e sobrecarga cardíaca. Será que isso é verdade?
A amamentação em bebês cardiopatas é indicada na maioria dos casos, salvo situações específicas, graves, que deverão ser avaliadas e acompanhadas por equipe (pediatra, cardiologista, fonoaudióloga, psicóloga, fisioterapeuta).
| Benefício | Por que importa |
|---|---|
| Proteção imunológica | Menos infecções, que pesam muito num coração fragilizado |
| Digestão fácil | Menos gasto de energia para digerir |
| Mamadas curtas e frequentes | Respeitam a menor resistência do bebê |
| Ganho de peso monitorado | Curva acompanhada de perto pela equipe |
Na verdade, os estudos revelam que, no aleitamento materno, há menor exigência de esforço por parte do bebê do que na alimentação por mamadeira; a temperatura e os níveis de saturação de oxigênio se mantém mais estáveis devido ao bebê sempre controlar e determinar o ritmo, duração e volume da mamada, com reduzido gasto de energia, ao contrário da mamadeira, em que o fluxo é contínuo, sem pausas (que deverão ser efetuadas pelo cuidador ou mãe) e o volume é determinado pelo adulto, bem como a duração da mamada.
Ainda que o bebê necessite de administração de oxigênio a amamentação não é contraindicada (com funil próximo ao nariz ou cânulas nasais), sempre com a observação cuidadosa e com a fixação e posicionamento correto na mama, deixando o nariz mais livre possível. Uma posição considerada favorável seria a posição debaixo do braço da mãe ou posição invertida e a mãe pode realizar compressão mamária para auxiliá-lo na extração de leite.
Nos casos em que o bebê necessita de mais de 50% de oxigênio, a melhor conduta é aguardar sua redução para estabelecer o aleitamento materno. Enquanto isso, o leite materno pode ser ordenhado e oferecido por copo, colher ou conta-gotas. Após a redução das necessidades de oxigênio para 30-35% a amamentação é mais segura, com os cuidados de observação e monitor de saturação de oxigênio.
Portanto, não há indicação universal para desmame e uso de mamadeira para o bebê com cardiopatia ou problemas respiratórios; a avaliação e conduta deve ser individualizada, com o conhecimento de que o leite materno é considerado o melhor alimento e é repleto de anticorpos que podem auxiliar na recuperação desses bebês, especialmente quando há necessidade de cirurgia.