A importância da amamentação em bebês com Síndrome de Down
A literatura mais antiga diz que bebês com Síndrome de Down tem palato duro atrésico e ogival, respiram pela boca, tem dificuldades de sucção na mama, não conseguem vedamento labial, não conseguem transição alimentar na época correta.
Se você analisar a cavidade oral de uma criança com SD, verá que seu palato é normal, o que leva a atresia e elevação do palato é a falta de aleitamento materno. Eles tem hipotonia característica da síndrome, sim, mas se houver apoio à mãe e a criança for amamentada, a hipotonia pode ser minimizada, pode haver sim vedamento labial, respiração nasal, aleitamento exclusivo até seis meses, transição alimentar correta.
| Cuidado | Por que ajuda |
|---|---|
| Pele a pele desde o nascimento | Estimula reflexos de busca e sucção |
| Mamadas frequentes e sem pressa | Respeita a hipotonia e o ritmo do bebê |
| Posições com boa sustentação | Dão estabilidade à cabecinha e ao tronco |
| Acompanhamento fonoaudiológico | Trabalha sucção, respiração e mastigação |
| Evitar bicos artificiais | Protege o desenvolvimento da cavidade oral |
Em motricidade orofacial aprendemos que há relação direta entre forma e função e que há estímulos genéticos (que não podemos mudar) mas há também estímulos externos, e esses podemos mudar – alimentação, respiração, mastigação, que podem favorecer ou desfavorecer o crescimento facial e as funções estomatognáticas .
Por isso eu acredito, sim, que com o estímulo ao aleitamento materno, não utilização de bicos artificiais, transição alimentar correta e terapia miofuncional, tanto a criança com SD como a criança sem SD podem ter vantagens no crescimento das estruturas e desenvolvimento das funções do Sistema Estomatognático. Não precisa ser aquele determinismo! Vamos intervir? Vamos acreditar? Nosso trabalho dá certo! Amo a Fonoaudiologia, Amo o Aleitamento!
Na prática, isso significa começar cedo: estimular a sucção ainda na maternidade, buscar uma pega confortável, manter o bebê em contato pele a pele e contar com profissionais que conheçam tanto o aleitamento quanto as particularidades da síndrome. A hipotonia pede paciência — mamadas mais curtas e frequentes, posições que ofereçam mais sustentação à cabecinha e ao corpo do bebê.
O leite materno é ainda mais valioso para esses bebês: ele protege contra infecções respiratórias e de ouvido, às quais as crianças com Síndrome de Down são mais susceptíveis, e favorece exatamente as funções — sucção, respiração nasal, mastigação — que farão diferença ao longo de todo o desenvolvimento.
Mamãe, acredite no seu bebê e em você. Com apoio, informação e carinho, a amamentação deixa de ser um diagnóstico difícil e se torna o que deveria ser sempre: um encontro de amor entre vocês dois.