Ainda que o termo “desmame” seja utilizado para designar a cessação completa da amamentação, o desmame em si é considerado um processo. O desmame é parte constituinte do processo da amamentação bem sucedida, por isso deve ser realizado com o mesmo cuidado, amor e dedicação. Não deve ocorrer de forma precoce nem brusca, pois corre-se o risco de promover traumas emocionais na criança e dificuldades de alimentação.
Amamentação e desmame, partes do mesmo processo. Ambos precisam ser aprendidos, ainda que existam também questões fisiológicas e instintivas, já que aspectos culturais, sociais, emocionais e familiares podem interferir negativamente tanto em um quanto em outro.
É de conhecimento geral que a indicação do Ministério da Saúde, OMS e UNICEF é de que o bebê seja amamentado exclusivamente até 6 meses e, após este período, seja amamentado e alimentado com alimentos saudáveis, até 2 anos ou mais, o que significa que, por meio de evidências científicas, há efeitos positivos, físicos e emocionais que apoiam a prática da amamentação prolongada.
Outro termo que precisamos compreender: o termo amamentação prolongada significa que o bebê é amamentado por mais de 1 ano. A indicação de “2 anos ou mais” revela a importância do leite materno e contato com a mãe de forma prolongada e que existem benefícios comprovados para mãe e bebê.
Hentschel (1997) menciona que o desmame ideal é aquele em que a mulher e filho não se lembram quando foi a última mamada. Winnicott (1996) recomenda que o desmame deve ser um acordo entre mãe e bebê, portanto, deve ser um processo tranquilo e em comum acordo, que pode ser conduzido a partir a identificação da maturidade do bebê para:
– estar longe da mãe por um tempo,
– se relacionar com outras pessoas,
– ter outros interesses,
– se alimentar com outros alimentos
– adquirir certa independência
Podemos dizer então que o desmame é, para o bebê, um processo de adaptação nutricional, social e ambiental. Ainda que seja gentil e tranquilo, o desmame é agressivo e angustiante, pois não deixa de ser uma perda para ambos.
Segundo Giugliani, o desmame pode ser abrupto, planejado ou gradual, parcial e natural. O ideal é que seja natural, também pode ser planejado, mas nunca deverá ser abrupto.
Para iniciar o processo de desmame
– a mãe deve estar certa de que está pronta e de que o bebê está pronto
– a mãe precisa ter paciência e maleabilidade
– o companheiro precisa auxiliar nesse processo
– ambos devem estar presentes
– não permitir mais de uma mudança ao mesmo tempo (por exemplo, desmame e adaptação em uma nova creche ou escola)
O desmame não possui regras e, se possível, deve ser conversado e planejado com a criança, de acordo com a idade. A mãe pode iniciar tirando uma mamada por vez, de forma gradual, deixando por último a da noite, antes de dormir.
Nesses momentos, manter o contato, propor brincadeiras divertidas, músicas, atividades junto com a criança pode ser muito favorável para o processo de desmame gentil.
A conversa e explicação são importantes no processo, mas em alguns momentos a mãe precisará abrir mão e voltar um passo atrás. Faz parte do processo ser maleável e compreender as necessidades e possibilidades do filho.
Oferecer alimentos, preparando-os junto com a criança para que pule mamadas pode ser uma estratégia para aumentar o interesse desta por outras atividades que não a amamentação. Provar sabores e consistências diferentes, alimentos que nunca experimentou pode ser divertido e estimulante!
Se a mãe estiver presente, a criança sentirá confiança e segurança, o que tornará mais fácil o desmame e a realização de outras atividades.
