A boca, nos primeiros anos de vida, está em constante desenvolvimento e em íntima relação com outros sistemas e órgãos do organismo. A erupção dentária do bebê é um processo normal, que geralmente acontece entre 3 e 12 meses, com os primeiros dentinhos surgindo por volta dos 4 -10 meses e a dentição decídua (de leite) completa por volta de 2 anos e meio.
Para muitas mães e bebês a erupção dentária é permeada por incômodos e perturbações, por isso é denominada de Síndrome da Erupção dentária, quando há início da irrupção dos dentinhos através da gengiva do bebê, trazendo com eles algumas manifestações locais e sistêmicas, como veremos abaixo:
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Manifestações locais
– inflamação nas gengivas
– inchaço e coceira nas gengivas
– irritação local (por isso o bebê morde objetos e a própria mama)
– mucosa da boca avermelhada
– salivação excessiva (em decorrência do amadurecimento das glândulas salivares)
– cistos de erupção dentária
– feridas na boca (úlceras)
– aumento da sucção digital
– bruxismo
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Manifestções sistêmicas
– perturbações gastrointestinais – diarreia (especialmente pelas mudanças alimentares, contaminação de leite artificial e aumento da sucção do dedo associada a dificuldades de higiene), vômito, cólicas e prisão de ventre
– infecções respiratórias – tosse, coriza
– baixa da resistência
– distúrbios do sono
– irritabilidade
– febre
– redução do apetite (muitas vezes o bebê só deseja mamar porque há menor incômodo do que na mastigação)
– pode-se observar urina com odor forte
– otites
– desidratação
– dificuldades de movimentação
– o bebê tem a tendência a morder objetos e a mama
– pode apresentar convulsões
Em geral, os sintomas melhoram com a idade, sem necessidade de tratamento, no entanto, em algumas situações é importante que o médico ou odontopediatra avalie e indique medicamentos halopáticos ou homeopáticos com a finalidade de reduzir os sintomas.
Além de alguns medicamentos, especialmente anestésicos tópicos, algumas dicas podem ser fornecidas aos pais que estão com bebês na fase de erupção dentária:
– uso de mordedores
– alimentos, bebidas e objetos frios
– massagem nas gengivas
– biscoitos sem açúcar
– distrações para a criança
– oferecer o seio materno sempre que o bebê desejar, pois nesse período pode se negar a comer e isso pode levar à perda de peso. Tomar cuidado para que o bebê não morda o seio oferecendo após massagens e com a certeza de que o bebê está com fome e não apenas desejando coçar a gengiva.
Na vigência de diarreia e desidratação, aumentar a frequência da amamentação para que o bebê se recupere mais rapidamente. Além de nutrir, o leite materno é fator de proteção contra outras doenças que podem afetar o bebê pela redução da imunidade provocada pela erupção dentária.
Nos casos de complicações, sempre procurar o médico ou dentista para diagnóstico e tratamento, pois em alguns casos o bebê pode apresentar estomatite, pericoronarite ou gengivite associados à erupção dos dentinhos.
