Ainda que se saiba que a nutrição da mãe e do bebê estão intimamente ligados e que existe influência da nutrição da mãe desde antes da concepção com repercussões ao longo de toda a vida de seu filho, uma dúvida que ainda surge com frequência é se a mãe que tem anemia pode amamentar, se o leite não será pobre em ferro ou seu bebê poderá também ter anemia pela ingestão de seu leite.

 

A anemia é a carência nutricional mais comum e prevalente no mundo, afetando principalmente gestantes e lactentes. A gestante com anemia tem maiores chances apresentar anemia no pós-parto e aumenta as chances de ocorrência de anemia no bebê aos 6 meses de idade. Isso pode ser explicado pelo fato de bebês filhos de mães anêmicas terem menores estoques de ferro ainda que tenham nascido a termo e com peso adequado.

 

Quando a mãe tem anemia a chance de o bebê ter redução significativa de hemoglobina é maior, ainda que as evidências demonstrem que a quantidade de ferro no leite materno é independente da quantidade de ferro no organismo materno.

 

É importante destacar que os estudos nessa área são controversos, mas muitas pesquisas revelam que a amamentação, especialmente de forma exclusiva, é um importante fator de proteção contra anemia em bebês menores de 6 meses. Existe um aumento no risco de anemia em bebês em aleitamento materno (não exclusivo) e em bebês alimentados de forma artificial.

 

Além disso, outros fatores podem levar à anemia do lactente, como tipo de parto (na cesariana tanto a posição de retirada do bebê como a ligadura precoce do cordão umbilical pode favorecer a anemia), características socioconômicas e peso de nascimento (quanto menor o peso, menores os estoques de ferro e maior risco de desenvolver anemia na infância).

 

Ainda que a mãe esteja com anemia, ela pode e deve continuar amamentando, pois ainda que a doença tenha surgido na gestação – o que aumenta as chances de o bebê ser acometido – a prática da amamentação exclusiva é fator de proteção contra a anemia, além de proteger contra mortalidade e morbidades. Com tratamento adequado, para a mãe, bebê ou ambos, dependendo do caso, a amamentação é mantida sem problemas.

 

Para evitar a anemia na mãe e no bebê, é importante reconhecer sua etiologia multicausal e complexa e promover a educação nutricional e distribuição de recursos para que, desde a adolescência, as mulheres tenham uma alimentação equilibrada e saudável que previna a anemia. Somado a isso, uma cobertura pré-natal adequada e manutenção da alimentação adequada poderão suprir a mãe  de estoques adequados de ferro para que mantenha um aporte adequado na gestação e lactação.

 

Ainda que os estoques de ferro sejam reduzidos, o bebê é beneficiado pela amamentação exclusiva pois, ainda que o leite materno não tenha grandes quantidades de ferro, a biodisponibilidade é maior. No caso do tipo de parto, o estímulo ao parto natural e o clampeamento tardio do cordão podem favorecer maiores estoques de ferro ao bebê.