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Bicos de silicone: quando ajudam e quando atrapalham

Amamentação · ProLactare

Já escrevi sobre isso antes, mas tenho ficado cada vez mais frustrado com o uso aparentemente indiscriminado de bicos de silicone nas díades que tenho atendido no consultório. Há uma excelente publicação que revisei e que contempla muitas das minhas preocupações, chama-se: “Porque as mães usam bicos de silicone e como isto influencia a duração do aleitamento exclusivo?” por Kronberg, Foverskov, Nilsson and Maastrup in Maternal and Child Nutrition, 2016.

Primeiro, alguns números. Na Suécia, bicos de silicone são utilizados por aproximadamente 18% das novas mães durante a primeira semana, 10% aos 3 meses e 1% 9 meses após o parto. Estes números parecem refletir também o uso pelas norte-americanas, onde o uso provavelmente possa ser até mesmo maior. Um estudo dinamarquês avaliou nascimentos hospitalares (que são 99% dos nascimentos dinamarqueses) onde 4815 díades foram observadas (3441 díades sem uso e 1037 em uso de bico de silicone). Eles então analisaram a duração do aleitamento através de variáveis específicas.

SituaçãoPapel do bico de siliconeCuidado
Dor intensa e fissuras que impedem a mamadaAlívio temporário enquanto a pega é corrigidaUsar por tempo limitado e com acompanhamento
Mamilos planos ou invertidosPode ajudar o bebê a abocanharAvaliar antes se a técnica resolve sem ele
Bebês com dificuldades de sucçãoFacilita a retirada de leiteMonitorar ganho de peso
Uso prolongado sem orientaçãoPode reduzir o estímulo à mamaReavaliar sempre com consultora

1) Mães pela primeira vez estão mais propensas a usar os bicos do que as multíparas.

2) Mães que usam bicos de silicone têm uma redução significativa no tempo de amamentação exclusiva. (Isto é um grande problema – as enfermeiras e consultores em lactação que prescrevem os bicos raramente acompanham as mães na sua retirada, então, eles não conhecem as consequências negativas do seu uso).

3) Se este é o primeiro bebê da mulher, usar o bico de silicone apenas no início OU durante a amamentação há um risco aumentado de cessação da amamentação por volta da 17a. semana. Para mães multíparas, se as mesmas utilizassem o bico de silicone ao longo da amamentação, elas também teriam um risco aumentado de desmame precoce (as multíparas que usaram brevemente não tiveram o risco de desmame aumentado).

Eu gostaria de ser bem claro aqui – eu não sou contra o uso do bico de silicone. Existem diversas situações em que ele pode ser bastante útil. O que sou contra é a indicação do bico de silicone por pessoas que não estão capacitadas a avaliar se seu uso na díade é ou não necessário. Também sou contra o uso do bico de silicone sem o devido acompanhamento. Se a mãe, especialmente a mãe pela primeira vez não entender que o uso do bico é temporário ou se ela não souber como removê-lo, então você estará numa situação na qual, de um modo geral, a duração da amamentação exclusiva será reduzida, o que é bastante contraproducente.

Um último pensamento: Tenho visto recentemente, mais e mais bebês mais velhos (na realidade que trabalho,os maiores de 12 meses de idade) cujas mães ainda continuam usando bicos de silicone. Vamos pensar: Porque o uso persistente de um bico de silicone não é questionado? Porque o bebê está dependente do uso do bico? Estas são questões que deveriam ser acompanhadas pelos médicos da atenção primária ou consultores em amamentação, certo?

Na realidade que vivo, a inabilidade em “desmamar” do bico de silicone é como um tipo de preditor da possibilidade de presença de frênulo curto de língua ou lábio. Se você vai ao médico queixar-se de dor nos joelhos e o médico não te examinar e, ao invés disso, te der um par de muletas, você ficaria bem com isso? Como seria se você tentasse, após várias semanas, tirar as muletas, e a dor voltasse? Manteria as muletas? Não acredito.

Muito frequentemente, os apoiadores da amamentação confiam em certos tipos de muletas. Seria excelente se começássemos a pensar a razão, em primeiro lugar, da necessidade dessas muletas. Isso não acontecerá enquanto as pessoas não começarem a estudar o mecanismo da pega, que ainda é grosseiramente mal interpretado.

Texto publicado no facebook, por Bobby Ghaheri, MD em 2016.

Traduzido por Fabiana Cainé Alves da Graça, farmacêutica, IBCLC.

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