É possível aumentar a produção e a gordura do leite materno?
Nos primeiros dias após o parto a produção e liberação de leite materno é orientado pelos hormônios. A produção láctea tem início ainda na gestação (lactogênese I), porém com volume bem limitado por conta da presença dos hormônios da gravidez, especialmente a progesterona. Ao nascimento, os níveis de prolactina e ocitocina aumentam significativamente após a saída da placenta (com redução abrupta de progesterona e estrogênio) e o aumento do volume de leite ocorre entre 30 e 40 horas (lactogênese II), mas a percepção materna de pressão nas mamas e descida de leite geralmente acontece entre 2-3 dias, independentemente de a mãe amamentar ou não.
Após este período tem início o controle de oferta e procura na produção láctea (lactogênese III), caracterizada pelo aumento do volume de acordo com a frequência de esvaziamento das mamas. Nesta fase, o FIL (Fator Inibidor da Lactação), que é uma proteína que é responsável pelo feedback inibidor da lactação, começa a agir e controlar a produção de leite materno. Ele age da seguinte forma: se as mamas estão cheias observa-se maior quantidade de FIL no leite. Ao contrário, se as mamas estão vazias, o FIL é reduzido e a produção/liberação de prolactina é estimulada.
| Fator | Efeito na produção |
|---|---|
| Frequência de mamadas/extrações | Quanto mais esvazia, mais produz — é o principal estímulo |
| Pega correta | Bebê eficiente esvazia melhor e sinaliza mais produção |
| Hidratação e alimentação da mãe | Apoiam a produção, sem alimentos «milagrosos» |
| Descanso e manejo do estresse | Cansaço extremo atrapalha a descida do leite |
| Chás e medicamentos | Evidência limitada; medicamentos têm riscos e exigem prescrição |
Funciona assim: os alvéolos, glândulas produtoras de leite contém células de produção láctea e é onde a prolactina é recebida, após sair da corrente sanguínea (vinda do cérebro – hipófise anterior). Ao entrar nessas células, há estímulo de produção. Quando esses alvéolos já estão repletos de leite, suas paredes expandem e o formato dos receptores das células não permitem a entrada da prolactina, o que cessa a produção! A natureza é muito perfeita, pois imaginem só se houvesse continuidade na produção? Dor, edema, mastites frequentes….
Com o esvaziamento dos alvéolos, as células voltam à forma anterior e passam, novamente, a permitir a entrada da prolactina. Por isso é importante manter as mamas vazias para que a produção aumente! Agora ficou mais fácil de entender porque a melhor forma de aumentar a produção é amamentando com maior frequência ou ordenhando o leite das mamas!
Alguns estudos mais recentes também relacionam a forma como a mama é esvaziada com a quantidade de gordura! Quando mais as mamas são esvaziadas, mais gordura é liberada! Isso quer dizer que, se a mãe quer aumentar o ganho de peso do bebê, é só retirar leite com frequência, pela amamentação ou ordenha! Esse novo conhecimento indica que a liberação da gordura não está relacionada ao horário do dia ou se é o início ou final da mamada como se acreditava, mas pela frequência de esvaziamento. Não é muito bom saber disso?
Outra informação importante: cada mulher tem capacidade de armazenar diferentes volumes de leite nas mamas entre as mamadas e quanto mais leite é armazenado, menor a velocidade de produção, por isso, outra dica é que, se a mãe armazena grandes quantidades de leite na mama, ela precisará esvaziar mais e com mais frequência para a produção aumentar.
Finalmente, se a mulher apresenta grande produção e deseja reduzi-la, a saída é manter as mamas cheias, amamentar apenas em uma mama, fazer maiores intervalos (se o bebê tolerar, claro), não ordenhar (ou apenas retirar um mínimo para aliviar a pressão nas mamas e a dor). Dessa forma, haverá aumento do FIL no leite e, consequentemente, redução da produção.
Com tais informações, as mães podem abandonar uso de medicamentos, por exemplo e atuar apenas na fisiologia da lactação, de forma segura e eficaz.