Adoção e aleitamento materno
A mãe que adota pode amamentar? Claro que sim! A lactação adotiva é possível!
Todas as mulheres nascem com o mesmo número de alvéolos (glândulas que fabricam leite) e, independentemente do tamanho de suas mamas, tem condições de amamentar igualmente. Além disso, todas possuem a prolactina e a ocitocina, hormônios responsáveis pela produção e liberação do leite, respectivamente.
A diferença é que quando uma mulher engravida, seu corpo é preparado para a amamentação. Suas mamas aumentam, a aréola escurece, aparecem os tubérculos de Montgomery (pequenas estruturas circulares na aréola responsáveis pela hidratação da mesma), os alvéolos se preparam para a produção de leite, porém esse leite só inicia realmente sua produção após o nascimento do bebê, com a saída da placenta.
Após os nascimento, prolactina e ocitocina estão em níveis elevados no sangue. O colostro começa a ser produzido e, com a sucção frequente do bebê, ocorre o aumento de volume de colostro. Entre 3-7 dias após o parto, ocorre a apojadura (descida do leite maduro).
Quando uma mulher adota um bebê, ela não passa pelas fases de mudanças físicas e hormonais, porém conhecendo a fisiologia da lactação podemos incentivar sua produção de leite.
Vale destacar que, antes de iniciar o processo, é importante realizar exames de sangue para descartar doenças que impeçam a prática da amamentação. Procure seu médico para orientação!
O que é indicado é iniciar a estimulação das mamas antes do bebê chegar. A mulher pode massagear e ordenhar as m amas com frequência (2/2 ou 3/3 horas), ingerir líquidos, ter uma alimentação saudável e permanecer calma, pensando no bebê.
Como sabemos que o leite é produzido a partir do estímulo das mamas, com os dias ele começará a aparecer. No início nada acontecerá; em alguns dias uma gotinha de leite, depois mais algumas, até que inicie a lactação.
Claro que isso é um processo lento, mas possível. Quando o bebê chegar, já haverá leite, ainda que não em quantidade. Com a sucção do bebê, o leite aumentará!
Muitas vezes é necessário utilizar a técnica da Relactação até que o volume de leite corresponda às necessidades de alimentação do bebê. A técnica consiste em se colocar uma sonda acoplada na mama, com a outra extremidade em um recipiente com leite – de preferência ordenhado e armazenado pela própria mãe ou outro leite.
O bebê sugará a mama e o leite ao mesmo tempo, porém estará estimulando as mamas o tempo todo, o que gera maior produção de leite. Assim que o volume de leite aumentar, a mãe pode suspender a técnica.
Não é fácil, não é simples, demanda tempo e dedicação, mas vale muito a pena. Além do vínculo, o leite materno será de grande importância para o bebê adotado. É muito amor envolvido!!!!
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Drª Cristiane Gomes
Consultora Internacional em Amamentação (IBLCE), Fonoaudióloga, Especialista em Motricidade Orofacial (CFFa), Mestre em Educação (UNESP), Doutora em Pediatria (UNESP), Pós-Doutorado em Saúde Coletiva (UEL), Psicanalista (Sociedade Psicanalítica do Paraná), Especialista em Teoria Psicanalítica e Doula.
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