Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Será que existe leite fraco?

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A partir de hoje vamos discutir um pouco sobre os mitos/crenças que permeiam a amamentação, aprofundando alguns deles, com o objetivo de informar as gestantes e mães para que não sejam influenciadas negativamente e tenham argumentos para manter o aleitamento ainda que as pessoas ao redor, amigos, familiares e profissionais de saúde sejam contrários. A informação é uma arma poderosa em todas as áreas, mas pode influenciar positivamente na decisão da mulher amamentar.

 

Leite materno fraco é um mito. O leite de cada mamífero é espécie-específico, ou seja, é produzido especialmente para garantir o atendimento às necessidades de cada espécie. Uma vaca, por exemplo, produz o leite específico para o bezerro, que precisa crescer rápido. Por isso, a quantidade de proteína é muito maior do que o necessário para um rato, por exemplo.

 

Além das quantidades de proteínas, gorduras, vitaminas, entre outros serem diferentes e específicas para cada espécie, as imunoglobulinas, substâncias de proteção ao organismo, também são específicas, por isso um leite de vaca não pode prover proteção imunológica ao bebê humano.

 

A quantidade de água é diferente e também específica para as necessidades de cada espécie, assim como o tipo de proteína, por isso muitos bebês humanos desenvolvem a alergia à proteína do leite de vaca (APLV) ao ingerirem leites artificiais à base desse tipo de leite. Além de alergia, a proteína é de difícil digestão e por isso um bebê humano dorme por horas após se alimentar com leite artificial e isso não quer dizer que ele esteja bem nutrido.

 

O leite materno possui todas as substâncias em quantidade e qualidade que os bebês humanos necessitam: nem mais nem menos. A digestão é fácil, rápida, tudo é aproveitado. Todas as doenças que a mãe teve durante a sua vida e todas as bactérias e vírus que entram em contato com ela são combatidos no seu organismo por meio da produção de anticorpos que passam pelo leite e protegem seu bebê, que tem o sistema imunológico incompleto até aproximadamente 2 anos de idade.

 

Um bebê amamentado exclusivamente mama com maior frequência exatamente pela fácil e rápida digestão e pelo aproveitamento total das substâncias contidas no leite materno. Isso não quer dizer que o leite seja fraco, mas é perfeito para ele.

 

Além disso, existem fases da vida do bebê, chamadas de picos ou saltos de crescimento, em que ele precisará mamar com maior frequência que o habitual e isso ocorre para que sua sucção na mama favoreça o aumento da produção láctea, ou seja, a demanda do bebê regula a oferta de leite materno. Com alguns dias ou semanas a produção se adequará às necessidades e as mamadas voltarão ao ritmo normal. Isso também não quer dizer que o leite está fraco ou diminuído, apenas significa que o bebê cresceu e necessita de mais leite, por isso mamará mais.

 

Caso o bebê esteja perdendo ou mantendo o peso, isso também não é sinal de leite fraco: o bebê pode estar com dificuldades de esvaziar corretamente a mama, com alguma infecção, refluxo gastroesofágico ou algum outro problema de saúde que deve ser investigado. Não há indicação de inserir complemento de leite artificial antes da exclusão de outros problemas e da correção da pega, posição e manejo da amamentação.

 

O bebê que tem dificuldades de pega, sucção e esvaziamento da mama deve ser atendido por consultores em amamentação ou profissionais capacitados para corrigir as dificuldades e auxiliar as mães em seu manejo correto. Na grande maioria dos casos, o apoio e informações baseadas em evidências científicas têm o poder de solucionar problemas com a manutenção da amamentação exclusiva.

 

Finalmente, o uso de bicos artificiais pode atrapalhar muito na pega e ordenha da mama. A partir do momento em que um bico artificial é oferecido ao bebê, há mudanças na fisiologia da sucção e o esvaziamento da mama para obtenção de todos os nutrientes necessários pode ficar prejudicado, o que pode dar a impressão que o leite é fraco, mas, na verdade, o bebê não consegue ordenhar com eficiência a mama materna, por isso seu uso é desaconselhado. Além das mudanças na fisiologia, a sucção de bicos reduz a sucção da mama e, consequentemente não estimula a liberação de prolactina.

 

Por isso, informe-se, busque apoio e saiba que você não é a única mãe com dificuldades. Seu leite não é fraco, é perfeito, é padrão-ouro para o crescimento e desenvolvimento do seu bebê, para a nutrição ótima e para a prevenção de doenças. 

 

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