Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Será mesmo que tenho pouco leite?

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Hoje é dia de falar sobre o mito do pouco leite. Muitas mulheres desistem da amamentação por referirem que produzem pouco leite e que este não é suficiente para as necessidades de seu bebê. Geralmente isso acontece quando o bebê chora muito, após uma desidratação ou perda de peso e é reafirmado por alguns profissionais de saúde, mas será que as mulheres tem mesmo pouco leite?

 

A hipogalactia, que é a falta ou baixa produção de leite, existe, mas afeta apenas cerca de 1% das mulheres, portanto a grande maioria tem possibilidades de produzir o volume necessário para a nutrição do seu bebê e por isso a baixa produção de leite é considerado mito. O diagnóstico de hipogalactia não é só clínico, na expressão manual de leite ou apenas pelo fato do bebê chorar após as mamadas. Ele depende de alguns exames para confirmação.

 

Alguns fatores que podem levar à hipogalactia são:

  • desenvolvimento mamário insuficiente,
  • cirurgia de redução de mama com retirada de tecido mamário (alvéolos) ou com incisão e retirada da aréola (portanto depende muito do tipo de cirurgia; não serão todas as mulheres que realizaram cirurgia de redução mamária que apresentarão hipogalactia),
  • doenças que afetam a hipófise, local onde os hormônios da lactação são produzidos (prolactina e ocitona, especialmente), como por exemplo tumores de hipófise,
  • diabetes
  • hipotireoidismo

 

Deste modo, como são raros os casos de hipogalactia, a esmagadora maioria das mulheres possuem todas as condições para amamentar e produzir o volume de leite necessário. Mas então por que algumas mulheres referem pouco leite?

 

A produção láctea está intimamente relacionada à sucção do bebê na mama (liberação de prolactina) e ao estado emocional da mãe (liberação de ocitocina), por isso qualquer dificuldade de técnica de amamentação ou no estado psíquico da mulher podem interferir, como por exemplo:

 

  • bebê com dificuldades de sucção, pega ou de esvaziamento das mamas
  • uso de complemento de leite artificial com consequente redução na frequência das mamadas
  • uso de bicos artificiais que fadigam a musculatura oral do bebê e impedem que ele mame eficientemente a mama
  • manutenção das mamas ingurgitadas sem esvaziamento
  • bebês prematuros ou que dormem muito e não sugam a mama com frequência
  • mãe estressada, com dor, depressão, falta de apoio ou confiança para amamentar, medo ou ansiedade

 

Muitas mães referem que o bebê chora muito e por isso concluem que seu leite é insuficiente. É importante compreender que o choro é a única forma de comunicação do lactente e que nem sempre o choro é de fome. A partir do momento em que a mãe começar a identificar os tipos de choro se sentirá mais segura quanto à sua produção de leite. A mulher deve manter a amamentação em livre demanda, permitindo que o bebê esvazie uma ou ambas as mamas, de acordo com sua necessidade. Com isso haverá saciedade e, caso ele chore, a mãe o atenderá para verificar as possíveis causas, que podem ser dor, sono, frio, calor, fralda suja, necessidade de contato.

 

Outras mães indicam redução da produção láctea porque ordenham manualmente e obtém pouco leite, concluindo, assim, que o volume é menor do que o bebê necessita. Nesse caso cabe destacar que cerca de 80% do leite é produzido durante a mamada e não está simplesmente armazenado na mama. O que se retira é apenas o volume que já está na mama e não quer dizer que seja o total de leite fornecido ao bebê. Além disso, algumas mães apenas apertam a mama e, ao não observarem saída de leite, acreditam que seu leite secou. Nesses casos é importante saber que somente após 2-3 minutos de estímulo da mama a ocitocina é liberada e o leite começa a sair.

 

Em outros casos, a perda ou pequeno ganho de peso do bebê fazem a mulher acreditar que não produzem leite suficiente. Na maioria das vezes, a técnica de amamentação, pega e esvaziamento das mamas está inadequado. É necessário, nestes casos, buscar apoio profissional para avaliar e auxiliar a mãe e o bebê na amamentação. Além disso, cabe destacar que o bebê pode perder peso por outros motivos, como infecção urinária, refluxo gastroesofágico, doenças, diarreia, mudanças de rotina, início de alimentação complementar, erupção dentária, entre outros. A mulher deve solicitar exames para esclarecer as causas de uma possível perda de peso.  No caso de pouco ganho de peso, vale ressaltar que cada bebê é único, pode ganhar mais ou menos em um determinado período, deve-se levar em consideração o tipo corporal familiar e se a curva de crescimento está ascendente, além da observação de outros aspectos como urina abundante, atividade, desenvolvimento global. Muitos bebês não ganham muito peso mas são completamente saudáveis!

 

Para aumentar a produção de leite, algumas dicas podem ser úteis:

  • amamentar em livre demanda
  • amamentar com maior frequência
  • não oferecer leites ou líquidos
  • não oferecer bicos artificiais
  • buscar rede de apoio
  • buscar informação para empoderamento e autoconfiança
  • manter as mamas vazias, tanto pela amamentação quanto pela ordena caso seja necessário
  • buscar apoio psicológico
  • amamentar em local tranquilo
  • manter contato íntimo com o bebê
  • ingerir líquidos sempre que tiver sede
  • manter alimentação saudável
  • dormir sempre que possível

 

Lembrar que a produção de leite depende diretamente da frequência das mamadas e do estado emocional, buscar ajuda nas dificuldades e conhecer o corpo para compreender o processo de lactação, além de manter a autoconfiança e segurança no seu próprio corpo são imprescindíveis para a produção e liberação do leite. Não desista, peça ajuda, procure apoio!

 

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