Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Não deixe o bebê chorar… não é birra!

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Todo bebê chora. Uns mais, outros menos, uns com maior irritação, outros são mais calmos. O fato é que todos os bebês que estão saudáveis choram. Parece contraditório, mas o choro demonstra que o bebê tem necessidades e consegue comunicar isso aos pais.

O bebê nasce sem linguagem e consciência; ele sente o que acontece no útero e, posteriormente, ao seu redor e já nasce com memória de experiências vivenciadas, mas a linguagem será adquirida e depende muito do outro (dos pais, principalmente no início) para se estabelecer. É a linguagem do outro, a simbolização do outro, o nome que o outro dá aos objetos que permitirão ao bebê compreender a linguagem e internalizá-la. A aquisição e o desenvolvimento da linguagem, são, portanto, aprendidos.

O bebê não domina a linguagem, ainda não sabe que existe ou que o outro existe; ele é uma só pessoa com a mãe e só se relaciona por meio de contato tranquilo e agitado, ou seja, conforto e desconforto, basicamente por necessidades de cuidados físicos e satisfação de tais necessidades.

Por isso, quando sente algum desconforto, seja fome, frio, calor, dor, etc, ele chora porque essa é a única forma de comunicação que possui. O bebê nunca faz manha ou birra: ele sempre chora por desconforto e porque precisa de algo e a mãe está sempre a postos para tentar compreender suas necessidades. Ela faz isso muito bem! Seus instintos, experiências prévias e vínculo com o bebê a impulsionam para resolver sua angústia e fazer com que retorne à posição tranquila.

Infelizmente muitos profissionais de saúde tentam interferir nessa íntima relação entre mãe e bebê com orientações para que a mãe deixe o bebê chorar, que ele se acalmará sozinho ou que se ela o atender sempre ele ficará mimado. Não existe nenhuma comprovação para tais condutas e, aliás, existem muitos riscos.

O primeiro risco é físico: a partir do momento em que o bebê tem uma necessidade não satisfeita, ele pode ser privado de necessidades físicas básicas como alimentação, sono, contato, com consequências para seu desenvolvimento.

Além disso, quando o bebê passa por stress, há ativação do sistema de resposta ao stress, que desencadeia reações físicas e químicas como alerta, descarga de adrenalina, aumento dos batimentos cardíacos e liberação de hormônios do stress. Todo bebê passa por momentos de stress e isso fará parte de toda a vida do ser humano, porém a questão aqui é que, se a mãe o acolher rapidamente, esse sistema volta ao normal rapidamente.

O problema é quando a mãe, por indicações inadequadas, deixa o bebê chorando, sozinho, esperando que se auto-console. Ele não tem condições nem maturidade para isso e o que acontece é que a resposta ao stress permanece ativada por longos períodos. Essa ativação constante sobrecarrega todo o sistema, que está em pleno desenvolvimento e pode gerar consequências sérias. Isso se chama Stress Tóxico.

O stress tóxico pode afetar o raciocínio, a aprendizagem e as emoções do bebê de forma duradoura e irreversível, já que reduz as frágeis conexões neuronais do cérebro em desenvolvimento. Alguns sintomas podem surgir e devem ser investigados em crianças maiores, tais como dores abdominais e de cabeça, sucção digital além da fase oral (2 anos aproximadamente), alergias, regressão de hábitos como fazer xixi na cama, apresentar deficit de atenção ou hiperatividade (devidamente diagnosticado por equipe interdisciplinar)

O segundo risco é emocional: por não ter consciência de si nem da mãe, o bebê espera que todas as suas necessidades sejam satisfeitas plenamente, sempre que houver um desequilíbrio orgânico. Se chora de fome, o peito surge e o alimenta, se sente necessidade de contato, o colo surge e o aquece e acolhe. Sempre que há uma necessidade e o bebê chora, sente como se fosse de desintegrar, se despedaçar. Quando a mãe vem ao seu encontro e supre suas necessidades, ele retorna à posição de integração. A manutenção da sensação de integração é importante para o desenvolvimento do psiquismo do bebê.

Desta forma, não deixe seu bebê chorando. Sempre que ele chorar, verifique a possível causa do choro. Ao ter sua necessidade satisfeita ele deve se acalmar. Se não se acalmar procure um médico, pois o bebê pode estar doente, no entanto, não espere um bebê que não chora: ele também pode estar doente!

Dar colo, manter no sling, fazer cama compartilhada com os devidos cuidados, amamentar em livre demanda, atender às necessidades, embalar, cantar, acariciar são atitudes maternas (e familiares) essenciais ao físico e emocional, pois o ser humano necessita de amor e carinho.

Lembre-se: “O cérebro é feito para dar e receber afeto” (Jaderson Costa da Costa)

 

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