Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Extero… o quê? Entenda a exterogestação e como lidar com ela

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O bebê humano é um dos únicos mamíferos que nascem incompletos e totalmente dependentes. Ele passa pela úterogestação (9 meses de gestação no útero) e, posteriormente pela exterogestação (o primeiro trimestre de vida). O período da exterogestação é essencial para que o bebê se desenvolva de modo completo, com a mediação do outro. Esta nomenclatura foi criada e descrita por Ashley Montagu.

 

O recém-nascido é totalmente indefeso, dependente e frágil, necessitando do outro para completar seu desenvolvimento cerebral. O vínculo com a mãe, então, passa a ser imprescindível ao crescimento e desenvolvimento, tanto físico quanto emocional.

 

O período de exterogetação é concluído geralmente quando o bebê começa a engatinhar com eficiência, o que significa certo grau de independência, por isso, a proposta é que, no primeiro trimestre de vida, o bebê seja cuidado como se ainda estivesse no útero.

 

Alguns autores que discutem sobre a exterogestação e a importância da atenção adequada ao bebê nesta última etapa da gestação são Ashley Montagu, Harvey Karp e Wenda Trevathan. Tevathan, por exemplo, refere que a gestação deveria durar 18 meses (período para que um recém-nascido adquira as mesmas habilidades de qualquer primata não humano), no entanto, pela posição de nascimento (posterior ou occípeto-sacra) e pelo estreitamento do canal vaginal, o bebê humano nasce antes do período ideal, assim que ocorre o amadurecimento dos pulmões. Esta expulsão precoce é denominada de “fetação”, pois o recém-nascido é, após o nascimento, considerado um feto fora do útero; Por isso o nome exterogestação (a gestação deverá ter continuidade após o nascimento).

 

Para favorecer o amadurecimento do bebê, a ideia é manter, ao máximo, as mesmas condições que ele encontrava no útero: embalo, voz materna, ruídos da respiração, dos batimentos cardíacos e do fluxo sanguíneo. Ao imitar as sensações do útero, observa-se redução do choro, calma e tranquilidade, melhor padrão de sono e o que Harvey Karp denominou “reflexo de calma”.

 

Este autor deixou algumas dicas para que os pais de bebês pequenos consigam imitar o período intrauterino e desencadear o reflexo de calma, denominando-as de “cinco S” (em inglês: 1. Swaddling with the arms down, 2. Side or stomach position, 3. Shushing, 4. Swinging e 5. Sucking).

 

Em tradução livre:

  1. Enrolar o bebê
  2. Segurar na posição lateral (segurá-lo nesta posição também quando estiver irritado),
  3. Som de shhhh (apresentar ruídos como este, que se assemelhem aos ruídos do organismo materno – secador de cabelo, cd com sons do mar, ruído do ventilador, do motor do carro)
  4. Embalar (no colo, dançando, no sling) e
  5. Sugar (amamentação em livre demanda).

 

Com estas dicas os bebês poderão se acalmar mais rapidamente e chorar menos, especialmente se permanecerem em contato pele a pele com a mãe, já que estarão revivendo as sensações intrautero. Por isso dizem que “berço tem espinho”, já que ao não identificarem ruídos, contato e movimentos conhecidos, os bebês choram em busca de conforto!

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