Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Entenda os três tempos do Complexo de Édipo

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Os três tempos do Complexo de Édipo de Lacan se referem às formas como o sujeito lida com a falta, a ausência e como defende seu aparelho psíquico dessa falta.

 

Na gestação, o feto sente a completude entre ele e o corpo da mãe. Recebe os nutrientes, o oxigênio, está protegido completamente. Não há ausência. O nascimento já é um trauma que traz a ausência dessa completude: a partir desse momento, o bebê precisará chorar para obter alimento, precisará respirar por si só.

 

A presença da mãe, seu cuidado, amamentação e atenção constantes aliviam essa falta em determinados momentos, mas já existe uma lacuna, que Lacan chama de objeto a. É a partir dessa falta que a pulsão impulsionará o sujeito a desejar e se mover no sentido de obter prazer.

 

Ainda que estejam reduzidas, as tensões se elevam quando há necessidades físicas. Quanto mais rapidamente a mãe atende-las, mais rapidamente o bebê volta ao estado natural de prazer. No entanto, quando ocorre o desmame e a separação corporal da mãe, esta lacuna volta e permanece por toda a vida. Todos nós sempre desejaremos retornar ao seio e ao útero, para o resto de nossas vidas.

 

Caso o bebê tenha dificuldades em aceitar o desmame e a separação de sua mãe para se tornar um sujeito único e separado dela (é invocado a passar de objeto para sujeito), entrará no primeiro tempo do Complexo de Édipo de Lacan – Psicose, caracterizado pela fixação na fase oral e a não aceitação em se tornar sujeito. A psicose é uma reconstrução inconsciente de uma realidade delirante e alucinatória (relação dual com a mãe), com perda da razão e criação de uma realidade alternativa, já que não aceita a realidade de separação com a mãe.

 

O psicótico deseja ser objeto de desejo do outro e mantém sempre a ligação com a mãe. Ele não sente culpa em relação ao outro, não se preocupa com o outro, apenas com seu eu. A psicose é um estado de alienação absoluta, no qual o indivíduo cria sua própria realidade e não aceita a castração, ou seja, ele não passa pelo Complexo de Édipo. Pode se apresentar como paranoia, esquizofrenia ou psicose maníaco-depressiva.

 

Caso ele passe pela fase de separação com a mãe sem maiores problemas, entrará no Complexo de Édipo, com a entrada do pai na relação para castrar a criança, impedindo-a de possuir a mãe, no caso do menino, e o pai, no caso da menina. A criança se torna sujeito mas, ao não aceitar a castração do pai entra no segundo tempo do Complexo de Édipo – Perversão, caracterizado pela fixação na fase anal.

 

Neste caso, a criança não aceita a lei, a proibição do incesto, o recalque ou a sublimação, o que o torna um sujeito com sexualidade selvagem, infantil, em estado bruto. Não pode desenvolver o superego. Ele pode até cumprir a lei, mas a camufla e burla sempre que possível para responder ao desejo pulsional, ao prazer. Seu gozo geralmente ocorre no sofrimento alheio.

 

A perversão é considerada uma psicopatia, um desvio de conduta sexual que pode se apresentar como incesto, fetichismo, sado-masoquismo, zoofilia, travestismo, pedofilia, exibicionismo. O perverso é o oposto do neurótico.

 

No caso de a criança passar pela separação da mãe e entrar no Complexo de Édipo, ele pode reagir como o perverso, sem aceitar a castração, ou ao contrário, aceitá-la, e então entrar no terceiro tempo do Complexo de Édipo – Neurose, caracterizada pela fixação na fase fálica. A criança aceita a castração, mas o sofrimento e conflito são imensos com o constante recalcamento de sua pulsão, de sua busca por prazer.

 

A criança neurótica sente culpa por tudo, sempre se autossabota, sente grande dificuldade com o gozo, está sempre angustiada e ansiosa. A neurose pode se revelar como histeria obsessiva ou de angústia.

 

É importante esclarecer a neurose é a única passível de contar com a vontade do sujeito na análise; na psicose e na perversão, o indivíduo não acredita que necessita de auxílio. Também vale destacar que as pessoas podem não ser fixamente neuróticas, ou psicóticas ou perversas. Podemos ter nuances desses três tempos, ser mais neuróticos, mas sem apresentar uma patologia como a histeria.

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