Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Amamentação e cárie não combinam!

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A cárie sempre foi considerada uma doença infecto contagiosa, mas atualmente se questiona isso. Em recente estudo, Simon-Soro e Mira (2015) indicam que a cárie deve ser considerada uma disbiose, isto é, um estado do organismo em que qual há maiores concentrações de bactérias patogênicas (nocivas) em detrimento de bactérias benéficas no nosso intestino, boca ou no trato gastrointestinal. São várias as possíveis causas para a ocorrência da cárie (alimentação inadequada, ausência ou inadequada higiene oral, capacidade tampão da saliva, trocas salivares entre mãe e bebê, etc).

É importante salientar que a cárie só pode ocorrer a partir do momento que surgir o primeiro dente no bebê; antes disso não existe cárie e a higiene oral pode ser realizada para criar um hábito na criança, para que ela aceite mais facilmente a higiene que deverá ser realizada por ocasião da erupção dentária. Por isso, a higiene oral do bebê sem dentes pode ser realizada uma vez ao dia, no horário do banho ou na ocasião mais conveniente para a mãe.

Apesar de não haver cárie na ausência dentária, desde poucas semanas de vida o bebê já apresenta as bactérias da cárie em sua cavidade oral, que geralmente é transmitida pelos familiares (pai, mãe, irmãos, avós). Com a erupção dentária, a mãe deverá proceder à higiene cuidadosa e frequente dos dentinhos, com uso de gaze inicialmente, escova macia e fio  dental posteriormente. Por ser multifatorial, a cárie pode surgir mesmo com a higiene adequada, no caso da criança ingerir muitos alimentos industrializados e açucarados. Deste modo, os cuidados devem ser globais, com opção por uma alimentação saudável e higiene oral adequada.

Infelizmente ainda existem profissionais que contraindicam a amamentação por julgarem que o carboidrato do leite materno poderia favorecer a formação de placa e proliferação de bactérias causadoras da cárie, no entanto esta informação não é verdadeira.

Ao se testar vários tipos de leites em laboratório (materno, de vaca, de cabra, de soja), observou-se que o leite materno foi o único leite com potencial para inibir a formação de biofilme, apesar de nenhum dos tipos de leite inibir o crescimento das bactérias Streptococcus mutans ou Lactobacillus casei. Isso significa que ainda que as bactérias estejam presentes, elas não se fixam no esmalte do dente para formar a placa e, posteriormente, a cárie, quando o bebê é exclusivamente amamentado.

Acredito que a grande confusão dos profissionais que relatam a ocorrência da “cárie de aleitamento” seja com relação aos conceitos de tipos de amamentação. Enquanto o bebê se alimenta apenas com leite materno está em aleitamento materno exclusivo. Após o sexto mês, quando inicia alimentação complementar, deve haver cuidado redobrado, não com o leite materno, mas com os alimentos ingeridos e com a higiene oral; não há mais aleitamento materno exclusivo, mas apenas aleitamento materno. Se o bebê recebe leite materno e outros leites, está em aleitamento materno predominante e por receber outros leites há maior risco de ocorrência da cárie, por isso é necessário maior cuidado com a higiene oral. Se só recebe alimentação artificial, está em aleitamento artificial e não se beneficia da proteção do leite materno.

Desta forma, o termo adequado seria cárie de mamadeira e não cárie de aleitamento, já que o leite artificial favorece a formação da placa bacteriana, que pode levar à cárie. Ainda que o bebê já tenha iniciado alimentação complementar, o leite materno é fator de proteção contra a cárie e por isso deve ser incentivado, apoiado e promovido juntamente com os hábitos de higiene e alimentação saudável.

Seja um profissional amigo do peito – não oriente sua paciente a desmamar o bebê com a justificativa de evitar a ocorrência de cárie! 

 

 

 

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