Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Quanto meu bebê precisa comer?

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Ao iniciar a alimentação complementar, com 6 meses de idade do bebê, as mães recebem muitas informações sobre formas de alimentação, quantidades por refeição, intervalos, ingestão de água e outros líquidos. Muitas dessas informações são contraditórias e impositivas, o que gera dúvidas e muito medo de que o bebê não se alimente corretamente. Quanto de comida o bebê precisa ingerir, como, quais alimentos?

 

A primeira informação importante é que na maioria das vezes os volumes indicados não condizem com a realidade, com a capacidade gástrica e com a avaliação individualizada de cada bebê. É importante destacar que cada criança tem um apetite, necessita de determinado volume, possui uma constituição física, por isso um volume único para todas as crianças é inviável, mesmo porque em cada momento ele pode necessitar de quantidades diferentes.

 

A forma de oferecimento da alimentação também é importante; caso seja oferecida por colher, quem comanda a quantidade é o adulto, não permitindo à criança controlar a quantidade de alimento, por isso é necessário ter atenção para não ocorrer hiperalimentação. Quando o bebê tem autonomia para ingerir os alimentos que prefere (BLW), explorar os alimentos em sua cavidade oral, mastigar o que tem condições de acordo com sua maturidade e número de dentes, além de brincar com o alimento, pegá-lo com as mãos, pode ingerir de acordo com suas necessidades e possiblidades, o que previne a obesidade infantil, já que o risco desta patologia não está só relacionada à qualidade dos alimentos, que deve ser baseada em alimentos saudáveis e in natura, mas também à quantidade (uma quantidade excessiva, além das necessidades individuais, também pode aumentar o aporte calórico).

 

Algumas mães possuem dúvidas quanto ao fato de o bebê não conseguir ingerir alimentos de forma suficiente no início da alimentação complementar, especialmente com a técnica do BLW, mas vale ressaltar que o aleitamento materno continua sendo o alimento principal da dieta do lactente após os 6 meses de idade e que a alimentação é que é complementar. Desta forma, caso o bebê necessite, pode ser amamentado após as refeições, sem prejuízos para a absorção de nutrientes (apenas quando há ingestão de leite artificial há necessidade de intervalo entre alimentação complementar e ingestão láctea, sob risco de redução de absorção de ferro).

 

Quanto à ingestão de líquidos, a partir de 6 meses a água deve ser oferecida com frequência, também respeitando a aceitação e a necessidade, por meio de copo ou colher. Caso o bebê não aceite, não se deve forçá-lo, já que o leite materno é composto por mais de 80% de água.  Com a maturidade e hábito, o bebê paulatinamente passará a aceitar maior volume do líquido. É importante informar aos pais que os sucos de frutas não são indicados a bebês, pelo fato de aumentar o risco de diabetes. O importante é oferecer água com frequência e, caso a mãe decida oferecer frutas, que sejam in natura.

 

Os alimentos devem ser oferecidos, na maioria das vezes, em sua forma original, especialmente no método BLW. Apenas em algumas situações é importante cozinhar brevemente para facilitar a ingestão e para favorecer que o bebê pegue com a mão e leve à boca. No caso da opção pelas papas, não há indicação de liquidificar ou peneirar os alimentos, mas que eles sejam brevemente amassados para que o bebê tenha condições de manipular os alimentos, tentar mastigá-los, sentir textura e sabor. Pelo mesmo motivo, é importante que os alimentos sejam oferecidos separadamente, com uso de temperos, mas sem adição de sal ou açúcar, além de evitar alimentos industrializados.

 

Ainda quanto à consistência, a mãe deve permitir que cada vez mais pedaços de alimento sejam deixados na preparação, para que o bebê aprenda a mastigar e evolua para a alimentação com todas as consistências por volta do primeiro ano de vida.

 

Alguns alimentos devem ser evitados na alimentação do bebê, tais como:

 

– alimentos lisos e arredondados, secos e pequenos, que podem favorecer engasgos,

– açúcar,

– sal,

– mel,

– alimentos potencialmente alérgenos: soja, leite de vaca e seus derivados, amendoim, avelã, castanha, cafeína, trigo, corantes artificiais,

– ovo pode ser oferecido, com atenção (evitar ovo cru),

– alimentos industrializados,

– pipoca,

 

 

No que se refere ao engasgo, vale informar que ele é um reflexo de proteção das vias aéreas e pode ocorrer com leite materno, água, alimentos, saliva. Os pais sempre deverão estar presentes e atentos durante a alimentação de seus filhos e jamais deixá-los sem supervisão.

 

Além disso, é importante diferenciar engasgo do GAG, que é uma contração da musculatura faríngea e da língua para trazer de volta à cavidade oral alimentos de tamanho aumentado que possam levar ao engasgo. Esse reflexo é normal, não produz ausência de respiração e o bebê volta às atividades normalmente após o GAG. Os pais não precisam ficar alarmados com o GAG, mas é importante que aprendam manobras para os casos de engasgo (quando o bebê fica com o alimento parado na glote e não consegue respirar ou chorar).

 

Dessa forma, os pais podem aguardar, sem ansiedade, pela maturidade mastigatória, motora, neurológica e gástrica para aumentar, pouco a pouco, a ingestão de alimentos complementares e, naturalmente, reduzir as mamadas, até o desmame completo.

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