Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Existe diferença entre amamentar e alimentar com mamadeira? Parte 4

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Ainda que nos primeiros meses de vida mãe e bebê sejam como um só, isto é, indissociáveis, pois o bebê não existe sem a mãe e vice-versa, e a relação é considerada fusional, existem diferenças entre amamentação e alimentação por mamadeira que se referem à subjetividade da mãe.

 

Ambos, mãe e bebê, apresentam sensações durante a amamentação. O bebê sente prazer na sucção, em sentir o leite  morno entrando por sua boca, se acalma ao sentir o corpo da mãe, seu ruído respiratório e corporal, sua voz e seu cheiro, mas a mãe também descobre, ao amamentar, sensações de prazer, dor, ausência de sensações ou culpa.

 

O prazer que a mãe sente na amamentação é de ordem física e emocional; é um prazer corporal, que se aproxima do prazer sexual e isso é completamente esperado e normal. É o que permite que a mãe ame, cuide, abrace, beije e faça de tudo para que ele viva e fique bem. Esse prazer é transmitido ao bebê, por isso a amamentação é o primeiro objeto e protótipo de todas as relações de amor que a criança estabelecerá com as outras pessoas no futuro, inclusive na vida adulta.

 

Algumas mulheres se sentem incomodadas com essa sensação, chegam a negá-la e não aceitam que podem sentir prazer na amamentação. Isso pode gerar afastamento, desmame, recusa do seio por parte do bebê e até mesmo inibição da lactação, quando não há fatores orgânicos que expliquem tal fato. Por outro lado, algumas mães se apegam profundamente a este prazer, fazendo-as resolver qualquer demanda do bebê com a amamentação.

 

É importante conhecer essa realidade, pois os dois extremos são prejudiciais: o bebê precisa desse momento de prazer e relação íntima com a mãe, mas também não deve ser excessivamente exposto à amamentação, mesmo quando não há o desejo ou a necessidade. Bebês insaciáveis podem estar com dificuldade e lidar com a ausência do seio, que é importante para o desenvolvimento psíquico infantil, a partir do momento que ele passa da dependência absoluta para a relativa ou independência.

 

No caso da alimentação por mamadeira, não existe esse efeito no corpo materno; não há estímulo da mama, não há sensação da descida do leite, não há o mesmo prazer que está presente na amamentação. A mamadeira impõe certa distância entre os corpos de ambos. O leite não surge quando o bebê necessita, pois precisa ser preparado e aquecido.

 

A mãe precisa refletir sobre sua vontade de amamentar, se apresenta sentimentos ruins com a ideia ou com o ato da amamentação, se tem dificuldades para aceitar que amamentar é prazeroso. É importante uma análise pessoal e também profissional para ajudá-la a compreender o porquê desses sentimentos e, se for de sua vontade, trabalhar essas questões, pois não há como deixar de lado a história de vida de uma mulher no momento que ela passa a ser também mãe.

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