Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Comida antes dos 6 meses do bebê? Não, senhor!

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Ainda que o Ministério da Saúde recomende aleitamento materno exclusivo até o sexto mês de idade do bebê e só então o início da alimentação complementar, a partir de embasamento científico que demonstra que o leite materno possui todos os nutrientes em qualidade e quantidade adequadas, muitos profissionais ainda indicam o início da alimentação complementar a partir de 3-4 meses. 

 

É importante os pais estarem informados sobre as explicações para que a alimentação complementar tenha início apenas após os 6 meses e quais os riscos de se iniciar precocemente essa alimentação. Vale destacar que isso vale tanto para bebês amamentados exclusivamente, em aleitamento materno predominante ou aleitamento artificial!

 

Historicamente, quando as mães começaram a ser desaconselhadas a amamentar, inicialmente com o surgimento da indústria alimentícia, a alimentação era iniciada muito precocemente, desde o primeiro mês em algumas sociedades até os 2-3 meses aqui no Brasil. Esses leites artificiais eram de má qualidade e com altos índices de contaminação, o que levava à diarreias e desnutrição. Com isso, a alimentação precisava ser iniciada antecipaamente para tentar reduzir a mortalidade e morbidade desses bebês.

 

Como ainda não tinham dentes, a recomendação era bater todos os alimentos no liquidificador e em seguida peneirá-los, para que tivessem uma consistênica aproximada do leite e fosse possível sua ingestão. Aí começou a ideia das papinhas…

 

Na verdade, esses leites e alimentos não supriam e não suprem as necessidades de nutrição e imunologia dos bebês, por isso a mortalidade, as infecções, alergias, diarreias não tiveram redução como o esperado, e houve um retorno à prática do aleitamento materno, a partir de políticas públicas e iniciativas de instituições e organizações.

 

Com o estímulo ao aleitamento materno e o avanço científico, bem como as descobertas imprescindíveis sobre as vantagens do leite materno e sua especificidade para a nutrição do bebê, houve um aumento dos índices de amamentação, especialmente no nosso país, com consequente mudança de orientação para a alimentação complementar.

 

Após vários estudos, o Ministério da Saúde, Organização Mundial da Saúde e UNICEF passaram a recomendar aleitamento materno exclusivo até os 6 meses. A partir desse momento o bebê já tem condições de iniciar a ingestão de outros alimentos e atualmente não há mais indicação para bater e peneirar os alimentos, mas apenas amassá-los ou oferecê-los em tiras para que a criança agarre e explore, de acordo com sua necessidade e desejo (método BLW).

 

Mas você sabe por que ele só tem condições de se alimentar a partir dos 6 meses?

 

  • a partir de 6 meses o sistema digestivo está mais desenvolvido, com condições de digerir adequadamente outros alimentos além do leite materno;
  • é por volta de 6 meses que tem início a erupção dentária;
  • também nesse período o reflexo de sucção é inibido, passando a ser voluntário, o que permite o aprendizado da mastigação;
  • o bebê passa a ter condições de retrair a língua para receber outros alimentos (para mamar no peito ele precisava anteriorizar a língua);
  • aos 6 meses aproximadamente os bebês tem condições motoras para sentar sem apoio e agarrar objetos, o que é importante para a manutenção da postura ereta para se alimentar e para dar condições de agarrar os alimentos e levá-los à boca;
  • a partir dessa idade ele consegue fazer tentativas de imitar os adultos, especialmente para se alimentar.

 

Quando as pessoas dizem para oferecer alimentos a um bebê antes dos 6 meses porque ele tem vontade, a realidade é que ele tem curiosidade sobre o alimento, mas não vontade. Além disso, ele não está preparado para receber outros alimentos ainda, por isso aguarde a fase correta para começar a oferecer alimentos ao seu bebê!

 

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