Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

As redinhas de alimentação são mesmo inofensivas?

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A pedidos, hoje vou falar sobre as redinhas de alimentação. Teoricamente elas servem para colocar frutas e impedir os engasgos. Prometem auxiliar os bebês na descoberta de novos alimentos. As mães acham lindo e muito útil, mas será que elas são necessárias e benéficas ao bebê?

 

Na verdade, o papel da indústria é criar necessidades para esvaziar estoques e vender. Ela consegue elaborar apetrechos bonitos, coloridos, porém muitas vezes inúteis e até prejudiciais. Os pais compram com a promessa de auxiliar seu bebê, mas as informações transmitidas são incorretas ou incompletas. Parece divertido para o bebê, não é mesmo? Parece que vai ajudá-lo e vai impedir os engasgos, mas será que isso é verdade?

 

Esse objeto, na verdade, dificulta o aprendizado da mastigação e a percepção das texturas, muitas vezes impedindo que a criança manipule adequadamente o alimento na cavidade oral.

 

Vejamos algumas explicações para o não uso das redes de alimentação:

 

1.A criança precisa adquirir o controle oral do alimento, manipulá-lo na boca, misturá-lo com a saliva, aprender a mastigação, que inicialmente é vertical, e depois passa a ser lateral e depois é rotacional.

 

2.Aprende o vedamento labial, faz incisão (morde) com incisivos, depois mastiga com pré-molares e molares para tornar os pedaços menores com a erupção dentária, utiliza músculos masseteres, temporais e pterigóideos.  Com esse objeto tudo isso fica dificultado, bem como a movimentação lateral de língua.

 

3. Outro fator é higienização desse objeto, que pode se tornar difícil, o que favorece contaminação pela presença de pequenos restos que podem permanecer na rede.

 

4.Quanto ao engasgo, o aprendizado do controle oral ocorre exatamente para que a criança não engasgue, por isso ela precisa aprender a manipular o alimento. Uma ultra proteção a longo prazo pode inclusive levar ao engasgo. O gag (reflexo de náusea) é considerado normal no processo de transição alimentar e é diferente de engasgo. É um reflexo de proteção da criança contra o engasgo.

 

Por todos esses motivos, é recomendado que a criança tenha experiências mais naturais, com alimentos separados, com suas consistências, cores, temperaturas diferentes e aprenda a mastigação com os alimentos em contato direto com sua cavidade oral. Assim seu tônus muscular será aprimorado, favorecendo o crescimento facial harmônico e o desenvolvimento das demais funções orais, como fala, deglutição, respiração.

 

*importante salientar que este post não se refere à terapia fonoaudiológica em pacientes neurológicos, especialmente com disfagia, mas na maioria das crianças que têm total condição de se alimentar por via oral e que não necessitam de intermediários*

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