Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

O que é stress tóxico no bebê e como evitá-lo?

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O processo de desenvolvimento do bebê consiste de mudanças significativas de âmbito neurológico, cognitivo, comportamental, funcional, social, afetivo e estrutural, no entanto, os primeiros anos de vida são cruciais para a ocorrência das sinapses dos neurônios, por isso a grande importância dos cuidados adequados e do vínculo nos primeiros 1000 dias de vida.

 

Ao nascer, os bebês já possuem cerca de 100 bilhões de células cerebrais, que serão conectadas no decorrer de sua vida, especialmente em seu início, e dependem em grande escala do ambiente que lhe é proporcionado. Dependendo dos estímulos, dos cuidados maternos, do vínculo estabelecido com os pais, do ambiente linguageiro, da voz e do olhar materno, essas células podem ser estimuladas a ponto de ativar os genes e promover o desenvolvimento intelectual e emocional.

 

Portanto, é extremamente necessário que esse bebê seja cuidado, tenha suas necessidades satisfeitas e receba amor e carinho para que as bases de seu desenvolvimento sejam lançadas. Como inicialmente o bebê é um com sua mãe, ela instintivamente está dedicada a ele e qualquer necessidade é suprida rapidamente. Uma mãe não deixa seu bebê chorando, com fome ou sujo porque não chegou a hora de atendê-lo. Essa prática não é materna, é médica, porém hoje se sabe que é extremamente prejudicial a essa conexão neuronal.

 

Cada vez que um bebê não é cuidado, atendido, acolhido em seu choro, ele desenvolve stress. Todos os bebês passam por stress, todos choram um pouco até suas mães chegarem e lhe atenderem, mas é importante enfatizar que há 3 tipos de stress: o positivo, o tolerável e o tóxico.

 

Atender o bebê em suas necessidades e seu choro não significa protegê-lo completamente ou se antecipar em todos os momentos. Por exemplo, quando seu bebê recebe uma vacina, a dor é real e existe um stress envolvido, mas esse stress é positivo, pois são as reações no organismo que levam à proteção contra várias doenças. No caso, o stress é transitório e logo o organismo se equilibra novamente.

 

No caso do stress tolerável, podemos pensar num acidente. O stress está presente, é mais severo, mas também é temporário e ativa sistemas de defesa do organismo. Se os pais estiverem presentes e atenderem com paciência e carinho ao bebê, os efeitos desse tipo de stress podem ser minimizados.

 

Já o stress tóxico está relacionado a situações graves, prolongadas e, para complicar, sem a presença de adultos que satisfaçam as necessidades da criança. Nesse caso, pode haver sérios comprometimentos neurológicos e cerebrais, bem como de outros órgãos do corpo. Por exemplo, maus tratos ou até mesmo negligência podem desencadear o stress tóxico. Deixar o bebê chorando por horas e horas, sozinho, no seu quarto e seu berço, sem colo ou amamentação, sem a presença dos pais porque um profissional recomendou que assim deveria ser para que o bebê aprenda a dormir sozinho ou se alimentar nos horários “corretos” pode sim levar ao stress tóxico.

 

Felizmente há como reverter ou reduzir os efeitos desse stress no organismo do bebê, mas é necessário que a família seja capacitada, orientada e passe a atender o bebê sistematicamente. Carinho, colo, contar histórias, brincar, proteger, cuidar não viciam, não fazem mal e não levam à insegurança; ao contrário, são as chaves para a saúde física e emocional das crianças, que poderão se tornar adultos também seguros, saudáveis e desenvolvidos plenamente.

 

Alguns efeitos do stress tóxico para a criança e o adulto são de ordem física e mental:

– atraso no desenvolvimento

– problemas de aprendizagem

– agressividade

– problemas de comportamento

– baixa autoestima

– atrasos de crescimento

– diabetes

– doenças cardiovasculares

– uso de drogas

– depressão

– ansiedade

– transtorno de stress pós-traumático

– síndrome metabólica

 

 

A criação com apego, amamentação, vínculo, cama compartilhada, atenção às necessidades da criança podem prevenir a ocorrência do stress tóxico e, nos momentos de stress positivo ou tolerável, a criança terá condições de enfrentar os desafios que darão oportunidades para aprender a gerenciar seu stress de maneira eficaz, por meio de regulação de suas emoções e uso de recursos sociais, adaptação ao ambiente e uso de recursos cognitivos para superação dessas ocorrências. 

 

O stress é necessário em diversas situações da vida, mas é importante que a criança receba ferramentas para lidar com ele e essas ferramentas são fornecidas pelos pais, para lidar de forma saudável com as situações estressantes. Por isso quando o bebê é submetido a stress muito cedo, e ainda sem apoio do adulto, as consequências podem ser devastadoras ao cérebro e ao psiquismo.

 

Concluindo, é importante que os pais estejam sempre atentos e presentes na vida de seus filhos, cuidando, transmitindo afeto e acolhendo nos momentos de stress.

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