Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

O bebê deve ou não dormir no seio materno?

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Essa é a dúvida de muitas mães. Será que existe algum problema no fato do bebê dormir mamando? Ele vai ficar sem vergonha, mimado, vai controlar a mãe, não vai dormir direito, vai acordar muitas vezes à noite?

 

Inicialmente é importante diferencial um bebê recém-nascido ou com poucos meses de vida de bebês maiores. O bebê pequeno dorme a maior parte do tempo e provavelmente dormirá a maior parte das mamadas, portanto é praticamente impossível que ele não durma na mama. Esses bebês ainda são imaturos, começam a mamar e se cansam, além do fato de o corpo e contato com a mãe os acalmarem. Eles dormem, acordam, sugam, descansam e em algumas situações precisam ser acordados para completar a mamada.

 

Um bebê novinho está em simbiose com sua mãe, ou seja, ele acredita que a mãe e ele são uma mesma coisa, que o seio surge quando ele necessita. Após alguns meses, com o estabelecimento dos ritmos de amamentação, começa a perceber presença e ausência, desconforto e prazer e com isso começará a perceber que a mãe é outra pessoa e isso permitirá, paulatinamente, o afastamento do corpo dela sem angústia.

 

Um bebê maior, que já interage e dorme menos, especialmente durante o dia, já pode mamar e ser embalado pela mãe sem a necessidade da mama para dormir. A mãe pode e deve olhar para ele, conversar, cantar. Isso é muito importante para seu desenvolvimento e para que, aos poucos, tenha condições de estar separado do corpo da mãe. A fala e a voz da mãe substituem o seio com o tempo, claro. E depois, a pulsão oral será manifestada pela fala do bebê. A fala, dessa forma, também é considerado um objeto transicional!

 

Nesse caso, o bebê pode fazer a sucção nutritiva (ordenha da mama) e não nutritiva (sucção por prazer) e se manter acordado, interagindo inicialmente com a mãe e depois com as outras pessoas e objetos, dessa forma geralmente não precisará sugar para dormir. É claro que no início os bebês apresentam dificuldades para pegar no sono e podem chorar devido a essa dificuldade. Eles precisarão da mãe para auxiliá-los com embalo, ruídos semelhantes aos do útero (barulho do chhhhhh), rolinho para mantê-lo contido, canções e muita conversa, amamentação, mas não precisam dormir sugando.

 

O hábito de o bebê só dormir no seio é criado pelos próprios pais, geralmente porque o bebê dorme mais rápido. Muitas mães mantém o seio na boca durante o sono, para que ele não desperte. Outras colocam o seio na boca a qualquer momento, por qualquer motivo, basta o bebê chorar. Nesses casos, é importante ter equilíbrio; claro que em algumas situações o bebê dormirá mamando, mas ele precisa receber o seio quando tiver fome ou necessidade de sucção para satisfazer a fase oral. Quando estiver com dor, desconforto, frio, calor, precisará que essas necessidades sejam satisfeitas em primeiro lugar. Ele pode também querer mamar e, após atender sua necessidade, ele poderá mamar, sim!

 

O bebê que precisa frequentemente da mama para dormir pode ser um bebê que acorda muitas vezes mais à noite do que um bebê que dorme com embalo. Claro que os bebês acordam de madrugada, tanto por fome quanto por necessidade de contato ou mesmo apenas pelos microdespertares característicos do tipo de sono dessa fase, mas é importante saber a diferença entre ter que dormir sugando a mama e, ao ter o microdespertar e perceber que a mama não está presente, chorar e ser difícil de controlar.

 

Para retirar esse hábito não há regras, passos, segredos ou estratégias rígidas: isso deve ser feito aos poucos, com muito carinho e paciência. Muitas vezes os pais precisarão voltar atrás para conseguirem sucesso mais à frente. Só não deixe o bebê chorando, ele precisa de você.

 

O importante, sempre, é que a mãe deixe seu instinto maternal comandar, sem deixar que as pessoas interfiram na sua maternidade. As mulheres sofrem frequentemente ataques a seu instinto materno, que é  sufocado na nossa sociedade. Hoje há muita exigência de se conhecer várias visões e teorias sobre como criar o filho. É ótimo ler, se informar, mas acima de tudo, é o que a mãe percebe e sente que deve ser levado em conta.

3 Comments
  • Ana Carolina Rodrigues março 24, 2017, 1:49 am Responder

    Nossa me senti tão culpada agora…Pois por influência da família (até mesmo do pai!) deixei minha bêbe chorar algumas vezes, por acreditar que ela estava “mau acostumada”, nada como a informação de um bom profissional para aliviar nossas culpas, e desmitificar as crenças que tanto ouvimos. Obrigada.

    • Drª Cristiane Gomes março 25, 2017, 5:12 pm

      Ana, não se sinta culpada, você apenas fez o que te foi orientado. Agora que tem conhecimento pode agir de outra forma. Bebês precisam de colo, aconchego, carinho e jamais ser deixado sozinho chorando. Aproveite enquanto é pequena, logo ela mesma não vai mais querer colo…kkk Felicidades

  • Michael Daamen janeiro 20, 2017, 4:27 pm Responder

    É exatamente a situação que temos em casa! Uma das piores coisas acaba sendo a dúvida de se estamos fazendo certo e se a situação é por nossa culpa (escutamos muito isso). É muito bom saber que é natural. Obrigado pelo texto.

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