Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

A Importância da voz materna para o bebê: saiba o que é o manhês…

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As trocas afetivas entre mãe e bebê são imprescindíveis ao desenvolvimento físico e emocional. Apoiar o ego do bebê, administrar cuidados físicos, apresentar os objetos e o mundo fazem parte da função materna. Além disso, alguns autores acreditam que o laço mais importante e primordial com a mãe é o laço com a sua voz!

Especialmente Dolto e Winnicott, pediatras e psicanalistas, davam importância fundamental à voz da mãe e à sua fala com o bebê. Dolto chegou a afirmar que um bebê cuja mãe conversa após a mamada, coloca objetos nas pontas de seus dedos e mãos, nomeia os objetos que ele põe na boca, não terá necessidade de sugar o dedo (ou outros objetos). O bebê ainda não compreende linguisticamente o que a mãe diz, mas sua entonação, intenção e emoção demonstradas permitem ao bebê simbolizá-la, até que consiga, por meio das palavras, substituí-la em sua ausência.

Inicialmente, o bebê é regido pelas relações afetivas moduladas pelas experiências sensoriais (corporais) que necessitam basicamente do outro. Nesse momento a voz materna, sua entonação e sua nomeação permitem que o bebê se perceba como sujeito com um corpo próprio e intencionalidade. Somente mais tarde ele compreenderá os conteúdos. Agora ele necessita do afeto, inclusive da forma como a mãe fala ao seu bebê, que é chamado de manhês, mamanhês ou baby talk.


O manhês, então, se refere a uma forma especial com que a mãe fala com seu bebê, com características específicas, tais como:

– frases curtas

– repetições de palavras e frases

– frases simples

– palavras com vários significados

– tom mais agudo na fala

– velocidade de fala reduzida

– alongamento das vogais

– voz mais aguda

– sussurros

Todos nós, quando falamos com bebês e crianças pequenas, intuitivamente assumimos essa forma para nos comunicar, pois sabemos que assim chamaremos sua atenção, interesse e olhar (face a face). No caso da mãe, esse interesse é muito maior e possui importância ímpar. O bebê, ao ouvir sua mãe lhe falar dessa forma, busca seu olhar e uma forma de respondê-la, estabelecendo o embrião da comunicação que permitirá a aquisição e desenvolvimento da linguagem, bem como a construção do eu da criança (um ser separado de sua mãe).

Ao ouvir a voz da mãe com intenção comunicativa e dar atenção à fala, o bebê geralmente responde por meio de expressões faciais. Caso a modulação da voz seja de aprovação, o bebê pode sorrir; caso seja de desaprovação, pode frazir o rosto, ainda que não compreenda o conteúdo linguístico do que lhe é dito.

A mãe, com sua voz e fala, dá significado aos desejos do bebê e fará com que ele também inicie sua emissão vocal como resposta. Muitos bebês começam com gritinhos, com a finalidade de chamar a atenção da mãe e evocar sua presença. A troca entre ambos é o protótipo do diálogo na comunicação.

É de extrema importância que as pessoas que cuidam do bebê também se utilizem do manhês para estimulá-lo, pois caso não falem com ele, demonstrem desinteresse, falem com entonação monótona ou revelem mudanças de humor como raiva, depressão ou nervosismo, não haverá interesse ou troca adequada. A mãe que não fala ao filho, não estabelece a comunicação ou não a mantém, que não apresenta os objetos e os nomeia, pode dificultar seu desenvolvimento e sua fala. Nesse ponto, a fala e a voz materna são tão importantes quanto os cuidados físicos e amamentação!

A voz materna e suas palavras afetivas tem papel de elemento transicional, pois permite ao bebê a separação do corpo com a manutenção da presença e cuidado, da significação dos sentimentos e desejos do bebê para permitir que ele seja um indivíduo completo. É a partir da interpretação de suas manifestações (choro por fome, por exemplo) que a linguagem se constrói.

Por todos esses motivos apresentados, fale com seu bebê, utilize voz aguda, com entonação variada, frases simples, associado a muito amor e cuidado! Parecem ações simples, mas que tem impacto gigantesco sobre seu desenvolvimento!

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