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Entenda o narcisismo primário

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O conceito de narcisismo foi desenvolvido por Freud (1914-1916) em sua obra “Sobre o narcisismo: uma introdução” e considerado como fase importante e esperada do desenvolvimento sexual infantil. O narcisismo é uma fase intermediária entre o autoerotismo e o amor objetal. É uma retenção da libido pelo ego ou, ainda, o complemento libidinal do egoísmo da pulsão de autopreservação.

 

Apesar de ser considerada uma fase esperada e normal no desenvolvimento psicossexual, Freud conceituou o narcisismo através da observação de pacientes com perversões, esquizofrenias e neuroses, além do estudo de povos primitivos e de crianças. Também verificou que indivíduos com doenças físicas, hipocondríacas e na condição de sono, ainda que consideradas normais, apresentam um retorno ao narcisismo por tempo determinado.

 

Em situações de caos (guerras, por exemplo), luto ou melancolia, o sujeito retira suas catexias libidinais de volta para o próprio ego até que a situação seja resolvida. A exceção é para a melancolia, em que há um esvaziamento do ego.

 

O narcisismo primário indica que a atitude afetuosa dos pais para com os filhos é uma forma de reviver o próprio narcisismo. É uma fase em que é necessário que o bebê se sinta o centro das atenções e supervalorizado para que internalize um objeto bom, afável e acolhedor, que permite sua percepção do mundo externo e o fortalecimento do mundo interno subjetivo e psíquico.

 

Para Freud (1914-1916), as primeiras satisfações sexuais autoeróticas são experimentadas na relação com as funções vitais que servem à finalidade da autopreservação. Inicialmente, os instintos sexuais estão ligados à satisfação do ego e, somente depois é que se tornarão independentes. Ainda assim, sempre haverá a indicação da vinculação original – os objetos sexuais de uma criança são as pessoas que a alimentam, cuidam e protegem (mãe ou substituta).

 

A catexia libidinal original do ego será, com a castração, posteriormente dirigida aos objetos, mas persistirá e estará relacionada com as catexias objetais. Originalmente, a criança tem dois objetos sexuais – ele próprio e a mulher que cuida dele (mãe ou substituta).

 

A castração, realizada no Complexo de Édipo, faz com que a criança, até agora totalmente acolhida, aceita e em plenitude da percepção de que a mãe está ligada total e exclusivamente a ela, percebe que a mãe também busca outras pessoas além dela. Com tal percepção, que é chamada de ferida do narcisismo primário, o objetivo será fazer-se amar pelo outro, agradá-lo para reconquistar seu amor. No entanto, isso só pode ser feito com a satisfação de exigências do ideal do eu.

 

Nos casos de perturbações no desenvolvimento libidinal, a escolha posterior dos objetos amorosos não será adotada como modelo materno, mas em seus próprios eus. Dessa forma, procuram a si mesmos como objeto libidinal e sua escolha objetal é denominada narcisista.

 

O desenvolvimento do ego consiste num afastamento do narcismo primário. Esse afastamento é ocasionado pelo deslocamento da libido em direção a um ideal do ego imposto de fora, sendo a satisfação provocada pela realização desse ideal.

 

Desse modo, o ideal do ego (ou eu) é o substituto do narcisismo primário perdido, isto é, a entrada no narcisismo secundário. A não realização desse ideal do ego provoca frustração, culpa e temor de perder o amor dos pais.

 

No narcisismo secundário, há deslocamento parcial da libido do ego para a libido objetal, ou seja, para o amor do outro, tendo como modelo a mãe ou substituta. Dessa forma, o indivíduo será capaz de amar e se relacionar com outras pessoas.

 

Uma parte da autoestima do indivíduo é primária – resíduo do narcisismo infantil –, a outra parte decorre da onipotência da realização do ideal do ego, enquanto a terceira parte provém da satisfação da libido objetal.

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