Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

A criança e o ambiente familiar

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Li uma frase que me saltou aos olhos. Atendendo e estudando psicanálise em crianças, me deparo com: ” Um filho responde com seu sintoma ao que há de sintomático na estrutura familiar” (Lacan)
 
A criança é extremamente sensível ao que acontece ao seu redor, mesmo não compreendendo algumas coisas, inconscientemente ela lê o ambiente e reage a ele. Seu sintoma é uma forma de revelar isso.
 
Inicialmente a mãe é espelho e ambiente do bebê, então, a forma de reação que ela apresenta gera uma resposta do filho. Se a mãe está nervosa, o bebê chora mais, se está depressiva, ele pode ficar pouco reativo, se ela não lhe olha e não lhe fala, pode perder o interesse até pela alimentação.
 
Uma situação muito interessante sobre a importância da voz e da fala materna é a experiência de Frederico II, já ouviram falar? Ele queria saber qual seria a língua desenvolvida pelos bebês se não tivessem contato com outro tipo de linguagem desde o nascimento. Desta forma, separou bebês de suas mães e as deu a cuidadoras, com a ordem que elas cuidassem, mas não falasse com elas. Infelizmente todos os bebês morreram, o que mostra a importância da mãe não só nos cuidados, mas como espelho e como uma pessoa que evoca a existência do bebê por meio da linguagem.
É a própria mãe que apresenta o mundo, o pai e os demais objetos a ele, e quando já se percebe como um sujeito, passa a reagir a esse ambiente externo.
 
Claro que existem doenças físicas, com tratamentos específicos, mas não custa refletir se há algo de errado no ambiente quando uma criança não dorme, não se alimenta corretamente, tem problemas de desenvolvimento, é irritada, nervosa ou apática. Geralmente com uma análise franca, é possível perceber as causas e com as mudanças necessárias, a criança melhora, como num passe de mágica.
Em outras situações é importante procurar um profissional para orientar a criança e principalmente os pais. A mudança do ambiente orientada favorecerá a melhora do quadro sintomático da criança. Vale a pena refletir sobre isso.
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