Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Os desafios da maternidade real

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Todo mundo acha que amamentar é natural, que é só colocar o bebê no peito e pronto! A mágica acontece. Aí quando não é assim, como num conto de fadas, com final feliz, a mulher fica extremamente frustrada, triste, culpada e pode desistir. Uma prática desejada muitas vezes desde sempre, sonhada como uma coisa linda. Só que a amamentação é um grande desafio, assim como a maternidade, por isso preciso contar a real para as mulheres que pretendem ter filhos.
 
O que tenho a dizer é que o parto e a amamentação não são os maiores desafios. O parto, por mais difícil que seja, demorado, dolorido (ainda que haja métodos para alívio da dor, doulas para dar apoio emocional, a família que apoie a mulher), não se compara à amamentação e à maternidade como um todo.
 
A real é que não é nada fácil formar, nutrir, cuidar de um ser humano, com desejos que não podem ainda ser expressados pela fala, apenas pelo choro. O choro é fonte de angústia para toda a família, mas é a forma de comunicação do bebê e precisa ser interpretada como o aprendizado de uma nova língua.
 
Um ser humano, vivo e saudável chora, tem cólicas, não dorme a noite toda, precisa de contato corporal, do olhar, da fala, fica doente. A mulher pode ter dificuldades, dores, problemas nas mamas. Não quero com isso desanimar ninguém, mas é importante sabermos que como um casamento tem seus desafios, precisamos aprender a lidar com o outro, com seus defeitos, seus momentos difíceis, acolher nas dificuldades, buscar ajuda quando necessário, assim acontece com um bebê, com a diferença que ele é totalmente dependente e não consegue se expressar verbalmente.
 
A relação mãe-bebê se constrói, é um processo. O amor também é construído, dentro da ambivalência que todo o ser humano traz dentro de si. Amor e ódio estão juntos e isso não deve trazer culpa a ninguém. Um bebê muda definitivamente a vida da mulher, do casal, da família. É uma responsabilidade e um compromisso para o resto da vida.
 
Por tudo isso, é importante o casal tomar uma decisão consciente, ter apoio mútuo e dos demais membros da família, saber exatamente o que deseja em termos de parto, amamentação, criação, alimentação, educação e ser respeitado em suas escolhas, ter apoio profissional capacitado e poder desabafar nos momentos difíceis, superar tudo e ainda crescer. Isso é mais próximo de ter um filho do que estamos acostumados a idealizar.
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