Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

A maternidade precisa ser pesada?

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A resposta mais óbvia é: “Não”, mas como fazer com que a mulher, que agora é mãe, tenha leveza, não alimente culpa e isso não atrapalhe sua vida e sua relação com seu filho?

 
Esse tema não é nada simples. Há mães que fazem acompanhamento comigo e sentem muita culpa por não terem o parto natural, não terem conseguido amamentar, por terem feito um desmame abrupto e acreditam piamente que causaram mal a seus filhos. Outras se culpam pelo estranhamento do filho, por não terem amado incondicionalmente, nem se apaixonado perdidamente desde o momento da descoberta da gravidez.

 
Todos nós somos resultado de como fomos criados, dos vínculos que foram formados, da fala do outro sobre quem somos. Nossa história diz muito sobre nossas atitudes e reações hoje, mas é importante destacar que não precisamos manter nossas reações, atitudes e culpas se isso não nos está fazendo bem.

 

A boa notícia é que podemos trazer à consciência essas questões, nossos conflitos e traumas, ressignificá-los e viver mais leve e feliz!

 
Por exemplo, uma mãe que desistiu de amamentar por várias questões, pode passar a vida se culpando e adotar algumas posturas, como superproteger o filho para tentar se redimir do fato de não ter sido a mãe perfeita que idealizou e não ter fornecido o melhor alimento a ele ou pode também se afastar do filho, como consequência de uma autopunição por não ter correspondido às expectativas ou até por culpá-lo inconscientemente.

 
De qualquer forma há sofrimento. E esse sofrimento não precisa continuar. O desejo de mudar o status do relacionamento e a ajuda necessária para se chegar a um equilíbrio, à felicidade, à percepção de que todos somos falhos e mesmo assim podemos nos relacionar de forma saudável é importante.

 
Todos os vínculos de criamos no decorrer de nossa vida sofrem quebras em algum momento: podem ser quebras totais e definitivas ou parciais. As quebras parciais acontecem porque tínhamos uma expectativa que não foi correspondida.

 

No caso da mãe do nosso exemplo, a expectativa de ser boa mãe no ato de amamentar e a expectativa do bebê mamar sem machucar podem ser atacadas com uma grande decepção: a mulher sente dor, o bebê a machuca, as pessoas ao redor, querendo ajudar, sugerem alternativas que a mulher não deseja, mas por fim acaba lançando mão e o desmame acontece.

 
A mulher pode se sentir uma mãe má, pode achar que o filho a rejeita, pode acreditar que não nasceu para isso, que tem um defeito. Ou assumir seus limites, compreender seu bebê, suas dificuldades e estabelecerem uma relação baseada em outros princípios.

 
Quando uma mulher tem culpa, isso pode atrapalhar sua vida e sua relação com o bebê. Quando ela lança a culpa fora, tem condições de vivenciar uma relação saudável, dentro das possibilidades: ser a mãe possível, a melhor que pode ser!

 
Essa percepção aproxima ambos, exclui superproteção ou afastamento, traz segurança e alegria, gratidão e consciência de que ainda que falhos, podemos fazer o melhor!

Não se culpe! Aceite as circunstâncias que não podem ser modificadas, procure ajuda profissional se você estiver com dificuldades, mas busque sua felicidade e a relação satisfatória com seu filho!

 

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