Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Existe diferença entre amamentar e alimentar com mamadeira? Parte 1

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É de conhecimento geral que a amamentação é importante para mãe e bebê, tanto para sua saúde quanto para sua relação. Quando uma mulher amamenta, ela permite que o bebê tenha uma sensação de continuidade intrauterina, há favorecimento da criação dos laços afetivos e do desenvolvimento psíquico, físico e emocional. Ainda que existam tentativas de afirmar que não há diferenças entre a alimentação por mamadeira e o aleitamento, é importante compreender que o leite muda, as defesas são reduzidas e também há questões emocionais envolvidas. Quando uma mãe não amamenta seu bebê, seja por questões físicas, emocionais ou até inconscientes, é importante que ela saiba como agir para minimizar ao máximo essas diferenças, com o objetivo de favorecer a melhor nutrição possível, física e emocional.

 

Para começar, hoje falaremos das diferenças entre a amamentação e mamadeira do ponto de vista emocional. As questões emocionais são mais difíceis de serem percebidas, mas é importante que os pais compreendam e busquem favorecer o contato, amamentando ou não. As diferenças entre o uso da mamadeira e a amamentação são: quanto ao rosto e presença da mãe, quanto aos ritmos, quanto à técnica da sucção, quanto à subjetividade da mãe, quanto à satisfação da pulsão e nostalgia do seio e quanto ao ódio e agressividade.

 

A primeira diferença que quero falar hoje é quanto ao rosto e à presença da mãe na alimentação.

Uma das coisas mais importantes para o bebê é a relação com a mãe nos primeiros meses de vida. Ele tem a percepção de que a mãe, o seio e ele são uma mesma coisa; ocorre o que chamamos de indissociação. Para manter a sensação de continuidade, o bebê precisa se identificar com a mãe, com seu rosto, olhar, voz, cheiro e com a forma de segurar e cuidar. Nessa fase, é importante que a pessoa que cuida seja permanente, ou seja, é importante que seja sempre a mãe que alimente o bebê e isso é o que acontece na amamentação.

Na amamentação é a mãe que amamenta ao seio, a posição favorece a troca de olhares, o contato, a comunicação, o toque íntimo. O bebê consegue se identificar com a mãe e se percebe em uma unidade com ela.

Quando o bebê é alimentado por mamadeira, com frequência o rosto muda, outras pessoas podem alimentar a criança, com outras vozes, cheiros, formas de segurar, de olhar e com outros rostos, favorecendo a identificação numerosa, o que não é saudável. 

Isso não quer dizer que será impossível que o pai, por exemplo, alimente o bebê, ou que somente a mãe poderá cuidar e embalar. Não é disso que se trata. A palavra de ordem é constância e permanência, que permite à criança estar em segurança no interior de si mesma e na relação com o outro que é referência – a mãe.

Por esse motivo, amamentando ou não, é importante que a mãe alimente o bebê, que lhe fale, olhe para ele. Essa presença e atividade são extremamente importantes para ele, independentemente da forma de alimentar. Evite alimentar assistindo TV, conversando com outras pessoas, com o bebê virado para outra direção, sozinho. É claro que em algumas situações pode ser necessário, mas não deve ser uma prática. 

Nesse momento, o olhar, a voz, a conversa e o toque são importantíssimos para que o bebê não se deprima e perca o apetite. O desejo da mãe pelo seu filho deve estar muito claro nesse momento. O rosto da mãe deve ser constante, mas esse rosto precisa ser vivo e se dirigir a ele com entonação de afeto.

Muitos profissionais e familiares orientam que o bebê seja alimentado por outra pessoa para não sentir o cheiro do leite materno e não chorar, para não associar o colo da mãe à alimentação, mas isso não faz sentido. Mãe e bebê são um só nos primeiros meses de vida e separá-los pode ser muito angustiante.

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