Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Você sabe o que é ambivalência materna?

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O conceito de ambivalência se refere a sentimentos simultaneamente conflitantes, ou seja, negativos e positivos, para uma mesma coisa ou pessoa. Para entendermos a ambivalência materna, é necessário voltar à infância. O bebê é regido pelo princípio do prazer; ainda não tem um ego formado e não conhece a cultura, o certo e o errado, a lei. Ele busca apenas satisfação de suas necessidades.

 

Por mais dedicada, amorosa e atenciosa que uma mãe seja, é simplesmente impossível satisfazer todas as necessidades de prazer em todos os momentos da vida de um bebê; haverá momentos em que o desprazer (fome, dor, sono, desconforto, necessidade de contato) será predominante e o bebê não será atendido imediatamente ou não haverá condições de eliminar tal desprazer, como por exemplo uma dor persistente ou uma doença infantil.

 

Um minuto de espera para um bebê é uma eternidade, pois ele não tem noção de tempo. Essa espera é considerada com grande desprazer, totalmente oposto ao prazer almejado. O bebê, desta forma, começa a nutrir pelo ambiente (leia-se mãe ou seio nos primeiros meses de vida) sentimentos de amor e ódio. É o que Melanie Klein denomina seio bom e seio mau (esta etapa é denominada por Klein como posição esquizoparanóide).

 

O bebê odeia que esse seio (a mãe é o seio) negue todo o prazer que ele deseja, mas o ama porque esse mesmo seio atende e satisfaz suas necessidades (alimento, amparo, carinho, cuidado). Com o tempo ele começa a perceber que tanto o seio bom quanto o seio mau são a mesma coisa e com isso sente-se culpado e inicia a prática da reparação (posição depressiva). Por isso muitos bebês mordem o seio materno, arranham e machucam a mãe; elas tentam projetar o que é ruim no seio (jogar fora, expulsar, destruir) e introjetar o que é bom (incluir, absorver).

 

Nesse momento inicia-se a ambivalência que todo o ser humano carrega por toda sua vida. O prazer e o desprazer, o amor e o ódio, os sentimentos bons e ruins estarão presentes em todas as realidades da vida. Sempre que houver uma experiência prazerosa, ela trará também o desprazer, e vice-versa. Isso explica como podemos sentir amor e ódio por uma mesma pessoa.

 

Com a entrada do pai na relação, que representa a lei e a noção de certo e errado, a criança aprende que não pode destruir o que odeia; aí surge o superego da criança. Ela continuará com sentimentos ambíguos, mas não será mais regida pelo princípio do prazer; agora ela entrou no princípio da realidade (pode ter sentimentos negativos mas não pode mais tentar destruir tudo que odeia).

 

A maternidade não é diferente: desde a gestação e até o nascimento do bebê, há momentos de puro amor pelo filho, fruto do amor de duas pessoas, que trará alegrias e um futuro compartilhado; por outro lado, há o ódio, da mudança do corpo, do abrir mão da própria vida (muitas vezes da carreira profissional, como já falamos), de seu corpo, seus desejos e até necessidades (de sono, de alimento, de cuidados com seu corpo), por abrir mão de sua vida amorosa tal como ela era antes da chegada do bebê.

 

Esses sentimentos ambivalentes são normais, adequados, sinais de saúde psíquica, mas novamente são reprimidos pela sociedade, o que é extremamente cruel com a mulher, já que ela precisa vivenciar tais sentimentos de forma isolada e culpada.

 

A mãe que sente raiva de seu bebê em alguns momentos, não é uma mãe má, é uma mãe normal, humana, que traz a ambivalência no seu psiquismo. Ela ama seu filho, fará tudo por ele! É importante compreendermos que é essa ambivalência que nos move, que nos faz estar ativas e completas.

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