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Tristeza e depressão pós-parto: como saber a diferença

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Ainda que a sociedade espere que uma mãe esteja completamente feliz e realizada, radiante e animada com o nascimento de um bebê, a realidade é um pouco diferente. Claro que ela estará feliz, mas cerca de 60% das mulheres terão algum distúrbio emocional, geralmente benigno, no pós parto.

 

Inicialmente, a avalanche de hormônios que estão desequilibrados no puerpério pode ser responsável por grande parcela da tristeza dos primeiros dias. Isso é completamente normal, deve ser acolhido e compreendido pelo companheiro e familiares. Logo os hormônios voltarão ao normal e a mulher também…

 

Por outro lado, a maternidade traz várias questões como a consciência de responsabilidade, os medos de não ser capaz de cuidar e educar corretamente uma criança, a insatisfação com o corpo, especialmente nos primeiros meses, as mudanças radicais de rotina, que envolvem dedicação total e exclusiva a um bebê completamente dependente, as alterações da sexualidade, conflitos, medos culpa, a ambivalência da maternidade, que muda toda a vida e os papeis da mulher, entre outras muitas questões que podem abalar emocionalmente a recém-mãe.

 

Os principais sintomas da tristeza pós-parto são os seguintes, e geralmente tem duração de até 2 semanas:

  • cansaço
  • choro fácil
  • tristeza
  • preocupações
  • cefaleia
  • irritação
  • inquietação
  • insônia (por incrível que pareça!)

 

No caso da depressão pós-parto, a duração é maior, atinge aproximadamente 10% das puérperas e tem início após a segunda  semana do nascimento do bebê. A depressão pode ser leve, quando a mãe se entristece, mas isso não a impede de realizar suas atividades, especialmente relacionadas aos cuidados com o bebê; pode ser moderada, quando já existe dificuldade para realizar as atividades rotineiras e pode ser grave, com o surgimento de sentimentos de culpa, baixa autoestima, sentimentos de rejeição acrescidas às dificuldades de realizar suas atividades do dia a dia. Além disso, podem emergir sentimentos de morte ou suicídio. Neste caso é necessária busca por ajuda profissional com a maior urgência!

 

A depressão também está relacionada com as mesmas questões abordadas na tristeza pós-parto, mas em maior intensidade e com impacto negativo na relação entre mãe e bebê. O risco de depressão aumenta quando há problemas financeiros, conflitos conjugais e quando a gravidez não foi desejada ou planejada.

 

Alguns sintomas de depressão pós-parto são:

  • desânimo
  • letargia
  • nada atrai sua atenção ou interesse
  • começa a negligenciar cuidados com o corpo, deveres
  • passividade
  • pensamentos de morte e suicídio
  • sensação de falta de capacidade para cuidar do bebê
  • angústia
  • culpa
  • medo
  • perda da autoestima e autoconfiança

 

O tratamento deve englobar o apoio familiar, compreensão, acompanhamento de profissionais de saúde (psicólogo, psiquiatra, psicanalista, médico) e pode haver necessidade de uso de medicamentos. Importante destacar que o pai também pode sofrer com a tristeza e depressão pós-parto e, nesse caso, ambos necessitam de tratamento e apoio.

 

O importante é saber que a tristeza é comum, faz parte do processo de se tornar mãe/pai, é passageiro e que os pais devem buscar ajuda caso não consigam lidar com a situação.

 

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