Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

O papel da doula na gestação e parto

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Desde épocas remotas as mulheres tinham seus bebês em casa e quem geralmente acompanhava a gestação e o parto eram as parteiras e as mulheres da família. Todo acompanhamento era realizado por meio de visitas domiciliares, momento em que orientações eram fornecidas, acolhimento às duvidas e aconselhamento entre as mulheres. A mulher paria dentro de sua casa, no aconchego do seu lar, rodeado por mulheres conhecidas, recebia seu bebê nos braços e assim já podia estabelecer um vínculo imediato. O parto era o mais natural possível, sem intervenções e com auxílio de compressas quentes para redução da dor.

Claro que muitas mãe e bebês morriam, não devido ao parto ser domiciliar e assistido por uma parteira ou pessoa do círculo de relacionamentos, mas porque não havia conhecimentos aprofundados sobre o processo da gestação, parto, puerpério, não existiam exames específicos ou tratamentos para diversas intercorrências que poderiam ocorrer no processo.

Com o desenvolvimento científico e tecnológico, as mulheres passaram a ser assistidas no hospital, por médicos, com uso de várias técnicas consideradas importantes. Muitas mães e bebês que morreriam em outras ocasiões, passaram a sobreviver e esse avanço foi de extrema importância.

No entanto, a ultra tecnologia e ultra especialização deixaram de lado as questões de humanização, ou seja, de empatia, da atenção à necessidade e desejo do outro, de respeito e de dignidade. A mulher se viu sozinha, num local desconhecido, com pessoas desconhecidas, foi submetida a intervenções estranhas, passou a sentir medo, dor. Os profissionais se esqueceram que estavam frente a um ser humano que traria à luz outro ser humano.

Nesse contexto, que chamamos de “desumanizado” porque negou às pessoas, em especial aqui às mulheres, sua dignididade humana, as doulas surgiram como um oásis nesse deserto. O termo “doula” significa “aquela que serve” e é esse o seu papel: servir a mãe com presença, acolhimento, toque apropriado, satisfação de suas necessidades. A doula é um ombro amigo, uma pessoa capacitada para reduzir as dores, trazer confiança, empoderamento no processo do parto.

O trabalho da doula tem início na gestação, momento em que realiza reuniões com a mulher, o homem, os familiares para esclarecer dúvidas, explicar o processo da gestação, parto e puerpério, informar sobre as evidências científicas mais recentes para empoderar, promover segurança e auto-confiança, além de auxiliar a família e a mulher nas decisões necessárias.

A doula explica sobre as mudanças no corpo e no emocional da mulher durante a gestação, sobre o desenvolvimento do feto, os tipos de parto, incentiva que a mulher tome decisões sobre o seu próprio corpo e saiba que este possui todas as condições para parir um bebê. Informa sobre o trabalho de parto e suas etapas, orienta sobre estratégias não farmacológicas para o controle da dor durante o trabalho de parto, as questões fisiológicas e possíveis intercorrências, as intervenções necessárias e desnecessárias, entre vários outros aspectos.

Ao criar vínculo com a mulher, durante o trabalho de parto e parto torna-se a pessoa conhecida que a apoiará no processo, com auxílio em diversas atividades, aplicação das estratégias de controle da dor, indicação das melhores posições, incentivo para que a mulher ouça o próprio corpo e responda a ele, etc. Em resumo, o papel da doula é apoiar física e emocionalmente a mulher nesse processo.

É importante deixar claro que doula não faz parto. Sua capacitação não é técnica, como de um médico, parteiro ou enfermeiro obstétrico. Suas atenções estão totalmente voltadas à mulher e suas necessidades, como as mulheres no passado apoiavam outras mulheres.

Após o parto, a doula auxilia na amamentação, cuidados com o bebê e cuidados com o próprio corpo. Pode auxiliar também nas tarefas domésticas  para proporcionar o melhor ambiente para a mulher. Seu papel é sempre de orientar, incentivar, apoiar, empoderar.

Há diversos estudos que já demonstram a importância da doula: redução da dor, maior confiança e tranquilidade da mãe, maior índice de partos normais, maior ocorrência de amamentação na primeira hora, redução da violência obstétrica e da realização de procedimentos desnecessários nos recém-nascidos.

Contrate uma doula. Você não se arrependerá!

 

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