Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Por que esperar até 6 meses para iniciar a alimentação do prematuro?

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É de conhecimento geral que a nutrição adequada é imprescindível para o crescimento e desenvolvimento saudáveis do lactente, além de repercutir por toda sua vida. Para as crianças prematuras, a amamentação e alimentação complementar em tempo oportuno é ainda mais importante.

 

Conforme as orientações dos órgãos de saúde nacionais e internacionais, o aleitamento materno exclusivo é extremamente importante ao bebê  (prematuro ou a termo) até o sexto mês e, após esta idade, a alimentação complementar deve ser iniciada para proporcionar nutrição ótima, com continuidade do aleitamento materno até 2 anos ou mais.

 

As recomendações se baseiam em estudos científicos e resultaram no documento da Organização Mundial de Saúde em 2001 que revelou que, a partir de 6 meses, os bebês possuem algumas condições importantes para iniciar a alimentação complementar:

– desenvolvimento geral

– desenvolvimento motor (controla cabeça e tronco, senta com apoio)

– maturidade neurológica para deglutir

– maturidade neurológica para digestão e excreção

– maturidade para aprender a mastigar

 

Os riscos da introdução precoce da alimentação complementar (antes de 6 meses) são:

– aumento do risco de mortalidade

– aumento do risco de morbidade (sequelas)

– aumento do risco de doenças pela redução de ingestão de fatores de proteção contidos no leite materno

– aumento do risco de contaminação dos alimentos

– aumento do risco de doenças respiratórias e reações alérgicas, especialmente asma pela ingestão de leite de vaca precocemente

– aumento do risco nutricional, já que os alimentos complementares podem não possuir os nutrientes necessários

– aumento da chance de desmame precoce

– aumento do risco de redução de absorção de nutrientes

– aumento do  risco de obesidade

 

Da mesma forma, a introdução alimentar tardia pode aumentar o risco de desnutrição e de carências nutricionais

 

Nos casos de bebês prematuros, o aleitamento materno exclusivo até o sexto mês é ainda mais relevante pela proteção imunológica, nutrição ótima e maior facilidade de digestão, visto haver imaturidade do sistema gastrointestinal.

 

As especificidades da alimentação do prematuro são de relevância para o conhecimento dos pais e familiares, pois não se deve levar em consideração a idade cronológica, mas a idade corrigida para avaliar as possibilidades de início da alimentação complementar. Isso significa que se o bebê tem 4 meses de idade, mas nasceu com 32 semanas de idade gestacional, na verdade ele tem 2 meses de idade corrigida e por isso não está pronto neurologicamente para receber outros alimentos além do leite materno, o que pode resultar em intolerância alimentar ou reações alérgicas.

 

Além da idade corrigida, é importante levar em consideração a maturidade neurológica. O bebê estará pronto a se alimentar com outros alimentos a partir do momento que conseguir firmar a cabeça e o tronco, sentar com apoio, deglutir com segurança, realizar movimentos de mastigação. Bebês com problemas neurológicos ou atrasos importantes no desenvolvimento neuropsicomotor podem ter dificuldades de alimentação por via oral (pela boca), necessitar de acompanhamento fonoaudiológico e, em casos mais importantes, será necessário o uso de outras vias de alimentação (sondas ou gastrostomia).

 

No momento de introdução da alimentação complementar, é necessário acompanhar o desenvolvimento das capacidades do bebê e realizar a transição da consistência alimentar. Muitas mães de prematuros têm receio de oferecer alimentos mais consistentes e acabam por manter a alimentação líquida, utilizando-se de engrossantes, mas é importante permitir que o bebê desenvolva suas habilidades de mastigação, deglutição, percepção de sabores e texturas.

 

Inicialmente alguns prematuros tem dificuldades de aceitação dos alimentos, mas não se deve privá-los da experiência oral para que tenham condições de aprimorar a musculatura, o crescimento facial e as funções estomatognáticas.

 

Vários estudos revelam que o acompanhamento fonoaudiológico de intervenção na alimentação de prematuros ainda em ambiente hospitalar favorece o desenvolvimento de suas funções e a aceitação dos alimentos, com aprendizado da mastigação e por volta de 12 meses, alimentação com todas as consistências.

2 Comments
  • Talita Hartmann junho 10, 2016, 12:12 pm Responder

    Bom dia Cris, gosto muito dos seus post. Pra mim são de grande importância e esclarecedores.
    Gostaria se saber, até quando preciso esperar minha bebê arrotar depois das mamadas? Até quantos meses é necessário? Obrigada

    • Drª Cristiane Gomes junho 10, 2016, 7:50 pm

      Talita, que bom que os posts ajudam de alguma forma. Essa é a ideia mesmo! Quanto à eructação, muitas vezes no peito isso não acontecem. Como o arroto depende da quantidade de ar deglutido, se a pega é correta, pouco ou nenhum ar é ingerido então pode ser que o bebê não arrote. De qualquer forma, deixamos por 20-30 minutos no colo, especialmente para não ter risco de voltar leite junto, mas se ele não arrotar, sem problemas!

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