Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Chupeta para prevenir Morte Súbita: será mesmo?

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Alguns estudos tem sido publicados incentivando o uso da chupeta para prevenir a Síndrome da Morte Súbita do Lactente (SMSL), que é a morte súbita inesperada, sem causa específica, geralmente que ocorre durante o sono em bebês menores de 1 ano de idade, sendo a faixa de maior risco entre 2 e 5 meses, mas será que há evidências científicas suficientes para tal indicação?

Ainda que existam estudos que apoiem que o uso da chupeta possa agir como prevenção desses casos, há muitas críticas às metodologias empregadas e a grande maioria dos órgãos de saúde nacionais de internacionais, tais como Ministério da Saúde, Organização Mundial da Saúde (OMS),  Sociedade Brasileira de Pediatria (SPP), Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Aliança Mundial pró-Amamentação (WABA) e Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar (IBFAN) referem que o uso da chupeta não é indicado, pois não há estudos suficientes para afirmar com clareza seus efeitos benéficos. Apenas a Academia Americana de Pediatria (APP) faz a recomendação formal.

Qual a justificativa para alguns órgãos defenderem o uso da chupeta na prevenção da Síndrome da Morte Súbita? Os pesquisadores acreditam que o ato de sugar aumenta as variações de ritmo cardíaco, promovendo regulação da função circulatória, além de permitir que haja maior controle das vias aéreas, especialmente pela parte externa da chupeta ajudar a manter o nariz e boca longe das cobertas. O problema é que os próprios pesquisadores referem que há necessidade de mais estudos para comprovar se esses efeitos são mesmo reais! Cabe destacar que não é a chupeta em si, mas a sucção que pode agir como prevenção da SMS!

Na verdade, esses próprios estudos sugerem que a sucção do dedo também tem efeito protetor e muitos outros indicam que o aleitamento materno em livre demanda reduz o risco de Síndrome da Morte Súbita do Lactente (é 60% menor em bebês amamentados e 70% menor em amamentados exclusivamente), ou seja, a forma mais natural, mais favorável e benéfica é por meio da amamentação!

Na amamentação exclusiva em livre demanda o bebê acorda mais vezes, muitas vezes faz cama compartilhada com os pais (ainda que alguns órgãos desaconselhem, outros estudos também indicam que essa é uma questão cultural e benéfica ao bebê, desde que sejam tomados alguns cuidados que falarei mais à frente), o sono do bebê é mais leve e da mãe também, que sempre estará monitorando seu filho na madrugada.

Além da amamentação, que promove a respiração nasal e fortalecimento muscular, há outros cuidados para evitar a SMS sem que seja necessário utilizar a chupeta:

  • colocar o bebê para dormir de barriga para cima
  • manter a temperatura do ambiente por volta de 23 graus
  • manter o bebê no mesmo quarto dos pais pelo menos até o sexto mês
  • evitar o uso de colchões muito macios, travesseiros, bichos de pelúcia
  • dar preferência para o bebê dormir em superfícies planas
  • roupas de cama e cobertas devem ser presas ao colchão e posicionadas abaixo das axilas do bebê, para evitar risco de bloquearem as vias aéreas
  • não fumar ou beber, pois esses hábitos aumentam o risco de SMS

 

Finalmente: por que não usar chupeta? Além de questionados os efeitos protetores na SMS, mesmo que houvesse uma forte evidência, os efeitos deletérios são superiores a qualquer possível benefício em seu uso:

  • risco de confusão de bicos e desmame precoce
  • risco de infecções de ouvido (otites), visto que aumenta a migração de bactérias pela Tuba Auditiva e, portanto, ao ouvido médio
  • risco de infecções por contaminação (especialmente coliformes fecais, muito comuns nas chupetas)
  • risco de infecções por fungos (sapinho)
  • risco de problemas nas arcadas dentárias e alinhamento dentário
  • o uso contínuo pode se tornar um vício de dependência
  • risco de problemas de fala, mastigação e deglutição

 

Em resumo, ao invés de oferecer chupeta para prevenir a SMS, é melhor amamentar seu bebê e tomar os devidos cuidados, pois os malefícios são muito maiores do que qualquer possível benefício que ainda precisa de comprovação científica!

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