Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Você sabe o que é a técnica sonda-dedo e em que situações é utilizada?

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Atualmente existem muitas técnicas para auxiliar mães e bebês na amamentação, com objetivo de evitar a utilização de bicos artificiais e reduzir ao máximo o oferecimento de fórmulas. Tais técnicas são desenvolvidas para dificuldades específicas e por isso os pais e profissionais devem conhecer sua indicações, contraindicações, prós e contras, bem como suas limitações e quais profissionais são indicados para utilizar.

 

A técnica do finger feeding ou sonda-dedo é a que se utiliza do dedo do profissional (que pode ser da mãe também) com uma sonda acoplada para estimular a sucção do bebê. Uma extremidade da sonda está fixada no dedo e a outra num frasco com leite, de preferência da própria mãe ou de um banco de leite. É uma adaptação da translactação, especialmente para os casos em que o bebê não consegue abocanhar e ordenhar o seio diretamente.

 

A técnica foi descrita inicialmente para estimular a sucção e deglutição, bem como promover a coordenação com a respiração, especialmente em bebês neurológicos e prematuros, para os casos em que as funções orais estavam ausentes ou muito comprometidas. Ela é utilizada em maior escala por fonoaudiólogos que atuam em UTI neonatal, com o objetivo de estimular os reflexos orais, sucção e coordenação do bebê, para que depois este seja estimulado no seio materno. Por isso, os volumes de leite administrados são bem pequenos e é imprescindível a avaliação deste profissional, que é especializado nas questões de alimentação, como posturas orais, força, pressão, ritmo, grupos, pausas, tônus muscular e coordenação.

 

O finger feeding não deve ser utilizado como substituto da mama: é apenas na amamentação que o bebê poderá adquirir habilidades para se alimentar de forma segura em funcional. Quando o bebê tiver dificuldades, os pais devem procurar auxílio de um fonoaudiólogo especialista em amamentação ou neonatologia, pois é necessária avaliação completa e intervenção especializada para a indicação da melhor forma de alimentar.

 

A preferência é sempre amamentação, mas em situações de necessidade, o profissional pode recomendar (com avaliação e acompanhamento, para evitar outras complicações) a translactação, o uso do copo ou o finger feeding. A melhor técnica depende desta avaliação e intervenção, mas a primeira escolha, em geral, é o bebê diretamente no seio materno, seguido do uso do copo para as situações em que a mãe não estiver presente ou o bebê apresenta dificuldades na pega da mama e, por fim, o finger feeding, para casos específicos de bebês com dificuldades mais sérias, especialmente que não conseguem sugar com efetividade, podem ter engasgos ou problemas respiratórios.

 

Como toda a técnica auxiliar, é necessário acompanhamento e retirada da técnica, para permitir a amamentação direta ao seio materno. Como o finger feeding utiliza o dedo de um adulto para avaliar e estimular a sucção, é necessário que seja um profissional capacitado a realizar a técnica e retirá-la o mais rapidamente possível, evitando complicações maiores no padrão de sucção do lactente.

 

Portanto, a técnica do finger feeding não deve ser utilizado em todos os bebês, nem por profissionais não capacitados ou pelos pais sem acompanhamento. Seu uso sem critério pode levar também à confusão de bicos.

 

É importante que os familiares e profissionais da saúde compreendam que o bebê precisa mamar no seio materno, tanto para nutrição, quanto para vínculo e desenvolvimento emocional. Caso haja dificuldades nesse processo, o encaminhamento é de extrema importância, com vistas à resolução dos problemas e não apenas à utilização de uma forma alternativa de alimentação, especialmente em bebês a termo e sem problemas de saúde.

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