Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Últimas recomendações sobre o uso de medicamentos e amamentação

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Quando uma mulher está amamentando e necessita ingerir algum tipo de medicamento é muito comum que o profissional de saúde indique a interrupção da amamentação, no entanto, poucas drogas a contraindicam absolutamente . Em geral, há um preciosismo e cautela excessiva por parte desses profissionais, que acabem aconselhando desnecessariamente a mãe a desmamar seu bebê.

É importante sempre dosar riscos e benefícios na decisão do desmame, por isso a Sociedade Italiana de Medicina Perinatal (Italian Society of Perinatal Medicine – SIMP), por meio de seu Grupo de Trabalho sobre Aleitamento Materno da Sociedade (SIMP-GLAM), convocou peritos para discutir a questão da segurança do uso de medicamentos durante a amamentação.

O artigo, recém-publicado na revista Journal of Human Lactation (DAVANZO et al., 2016) com o título: “Advising Mothers on the Use of Medications during Breastfeeding: A Need for a Positive Attitude”, contém uma declaração sobre o aconselhamento para o uso de medicamentos durante a amamentação, que serão resumidamente apresentados aqui:

  1. O profissional não deve se basear apenas na precaução para indicar o desmame e não devem avaliar apenas a bula dos medicamentos (apenas 2% dos medicamentos italianos possuíam indicações claras de sua utilização segura na amamentação e o grupo de trabalho leva em consideração que a maioria das bulas restringe o uso na gravidez e lactação, sem distinguir entre os dois momentos ou considerar as evidências atuais).
  2. O médico pode buscar as evidências antes de contraindicar o aleitamento materno, já que, em geral, não é uma orientação que necessite de urgência para ser fornecida. As contraindicações imediatas da amamentação devem se limitar apenas aos casos de medicamentos antineolplásicos, drogas ilícitas ou substâncias ingeridas com intenção de provocar danos a si.
  3. Deve ser analisado o risco do uso da medicação em relação ao risco de desmame e alimentação artificial.
  4. A transferência da droga para o leite materno e, portanto, seus possíveis efeitos no bebê, dependerá das características da medicação e da capacidade de metabolização da mãe e de seu bebê, por isso o profissional deve ter cautela na indicação de desmame. Os riscos apresentam redução após 2 meses de vida. Também há redução de riscos quando o aleitamento não é exclusivo e quando há início da alimentação complementar. Há risco potencialmente maior quando o bebê é amamentado exclusivamente ou quando seu metabolismo é imaturo (prematuros ou menores de 2 meses)
  5. Para reduzir o efeito da medicação, a mãe pode ingerir a droga logo após a mamada.
  6. Se o medicamento é contraindicado durante a lactação, a mãe pode extrair seu leite e descartá-lo durante o tratamento para manter a lactação e, após sua conclusão , poderá retomar a amamentação ou então poderá armazenar seu leite e ter um estoque no período do tratamento, para que ofereça seu próprio leite ao bebê.
  7. O receio de possíveis efeitos cognitivos negativos resultantes do uso prolongado de alguns medicamentos não é motivo para indicar o desmame, pois estudos recentes revelam que não há diferença entre resultados cognitivos de bebês amamentados cujas mães utilizam medicamentos anticonvulsivantes e bebês alimentados por fórmula (assim como ocorre com outras drogas), porém há necessidade de monitoramento da criança.
  8. O uso de vários medicamentos pode ter efeitos negativos devido às interações medicamentosas, no entanto, não há evidências de riscos em mulheres que utilizam mais de um medicamento em doses adequadas, por isso há necessidade de mais estudos.
  9. Ao aconselhar sobre medicamentos e amamentação, os profissionais devem utilizar fontes seguras de informação (LactMed, Bartick, Akus são as mais confiáveis).

 

 

 

*O aplicativo do LactMed é gratuito e uma ferramenta útil, segura e atualizada para aconselhamento*

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