Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

SMAM 2017: trabalhar juntos para o bem comum

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Esse é o tema da Semana Mundial de Aleitamento Materno 2017: trabalhar juntos para o bem comum. Mas por que é necessário um tema como esse?

Além de ser um dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que o Brasil está comprometido em cumprir até 2025 e que contém vários passos importantes, a questão de trabalhar pelo bem comum, no caso da prática da amamentação, é relevante na medida em que a indústria de leites e bicos trabalha a todo vapor e com muito investimento financeiro para fazer com que as pessoas (mães e profissionais) acreditem que seus produtos são melhores que o leite materno e a prática da amamentação.

Mas será que a indústria não sabe da superioridade do leite materno? Sim, claro que sabe, mas há interesses comerciais que estão acima desse conhecimento e reconhecimento. Tais interesses são financeiros (altos valores) e fazem com que o investimento esteja muito voltado para convencer o profissional de saúde e hoje, as blogueiras, inclusive as que são mães, para que estes apresentem ao público alvo final – as mães – seus produtos como a salvação.

Quando a indústria promove cursos de formação, congressos, oferece material informativo, amostras grátis para conhecimento, verbas para eventos, jantares, oferece brindes (simples canetas ou bottons) está tentando convencer os profissionais a recomendarem seus produtos. Em resumo, ele está usando esses profissionais para indicarem seus produtos às mães. Na medida em que os profissionais recomendam seu uso indiscriminadamente, porque recebeu algum benefício ou brinde, isso é chamado de conflito de interesses.

O conflito de interesses é baseado em uma troca (indicação do produto por algum ganho). A caneta com a propaganda da marca ou do produto faz lembrar e pode levar à indicação, mesmo que não seja realmente necessária. A partir desse conflito de interesses a saúde do bebê não está mais em primeiro plano, mas a relação entre a pessoa que indica e a indústria.

Isso é extremamente perigoso no caso da amamentação. Uma mulher está amamentando e possui algumas dúvidas ou inseguranças que são comuns, porém ao invés de receber apoio, orientações atualizadas e baseadas em evidências, recebe uma prescrição de fórmula e bicos desnecessariamente e, com isso, o desmame pode se instalar.

Trabalhar, então, para o bem comum, é ter conhecimento e consciência das estratégias comerciais e, juntamente com todos os setores da sociedade (trabalho da mulher, setor da saúde, educação, governos e políticas públicas) promover, proteger e apoiar a mãe que deseja amamentar ou que já amamenta, especialmente pelos conhecimentos da superioridade do leite materno, seus efeitos a curto e longo prazo na saúde da criança e pelos riscos do uso de fórmulas e bicos artificiais.

Hoje não precisamos mais provar ou defender a superioridade do aleitamento materno: isso já está comprovado, é algo natural e específico para o bebê humano, então a indústria tem se desdobrado para tentar mostrar que tem seu valor, ainda que sejam conhecidos os riscos e prejuízos de seus produtos.

Por setores da sociedade, governos, profissionais, blogueiras e mães que se unam para o bem comum: a saúde da criança, a relação mãe/bebê, o desenvolvimento saudável. Sem conflitos de interesses, mas com consciência de que o produto que estamos promovendo não precisa de defesa, pois é o melhor produto que existe em termos de nutrição infantil.

Viva a Semana Mundial do Aleitamento Materno! Viva a amamentação!

Dra. Cristiane Gomes, IBCLC

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