Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Será que eu preciso mesmo usar absorventes e discos de gel durante a amamentação?

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Ainda sobre os produtos que são frequentemente indicados para as mães durante o período de lactação, tanto por profissionais quanto por outras mães, hoje falaremos um pouco sobre os relactadores, os discos de gel e os absorventes para mamas. Será que esses produtos são imprescindíveis para que a mãe consiga amamentar? Existem riscos? Se existem, quais são eles?

 

  1. Relactadores

Com o uso de uma sonda fina presa à mama em uma extremidade e com a outra submersa em leite (de preferência materno), os relactadores são utilizados com o objetivo de complementar a alimentação dos bebês com alguma dificuldade de sucção ou quando há redução da produção láctea.

 

A vantagem desta tecnologia é que o bebê mama o seio diretamente e há indicações de seu uso nos seguintes casos: prematuridade, ganho de peso insuficiente, dificuldades de sucção, confusão de bicos, promoção do aumento da lactação, bebês com fissuras labiopalatinas ou Síndrome de Down, bebês adotados, entre outros.

 

Apesar de ser uma das técnicas que podem ser indicadas na intervenção profissional para viabilizar a amamentação, ela deve ser utilizada em casos específicos e retirada gradativamente, pois há risco do bebê se habituar com o fluxo contínuo do leite (o que não ocorre na amamentação). A sonda deve ser descartável para impedir que resíduos de leite permaneçam em suas paredes e contamine o leite que será oferecido em seguida. Esse cuidado, somado à higienização do frasco tem grande importância para a proteção do bebê.

 

  1. Curativos de gel

Estes discos de gel geralmente têm indicação para proteger os mamilos, evitar ressecamento e fissuras, além de reduzir o contato com a roupa e favorecer a cicatrização. Esses discos são muito indicados e, em geral, as mulheres sentem algum alívio na dor provocada pelas fissuras, no entanto é importante alertar sobre o risco de contaminação, especialmente porque são reutilizáveis por até 7 dias, o que aumenta o risco de infecção (ainda que a glicerina tenha papel bactericida, sua ação não é imediata, por isso a chance de contaminação ainda se mantém).

 

Desse modo, é melhor corrigir a posição e pega para se livrar de um problema – a fissura – do que correr o risco de ter dois problemas – fissura e mastite, por exemplo.

 

A contaminação pode vir da cavidade oral do bebê, da pele da mãe, de suas mãos que manipulam o disco ou mesmo do leite, que é absorvido em parte pelo curativo de gel e pode conter bactérias, servindo como meio de cultura.

 

Para o vazamento de leite que ocorre especialmente nas primeiras semanas após o parto, o ideal é amamentar em livre demanda e utilizar tecidos ou protetores absorventes por tempo limitado (por exemplo, para ir a uma consulta médica), sempre com o cuidado de não permitir um ambiente propício para a proliferação de bactérias e fungos. Com o tempo a tendência é que a produção de leite se adapte às necessidades do bebê e não ocorra mais o vazamento de excesso de leite.

 

  1. Absorventes

Os absorventes são indicados para proteger a roupa dos vazamentos de leite, indesejáveis e constrangedores às mães.  Novamente, o excesso de leite e o vazamento ocorrem em maior frequência nas primeiras semanas, por isso a livre demanda é uma saída.

 

Os absorventes podem ser utilizados em algumas situações, mas não devem ser reutilizados nem mantidos por longos períodos. De preferência, utilizados apenas quando a mãe sair de casa, pois eles mantém o mamilo e aréola úmidos, com resíduos de leite que permitem a proliferação de bactérias e fungos, podendo levar a dor mamilar, mastite e candidíase, de acordo com alguns autores, além de haver risco de alergias aos componentes do produto.

 

Para evitar problemas, manter as mamas secas e arejadas na maior parte do tempo é importante, com uso de tecidos absorventes que possam ser removidos quando úmidos e trocados nos momentos de necessidade.

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