Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Semana Mundial de Aleitamento Materno 2019 – Empoderar mães e pais, favorecer a amamentação.

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Este ano a WABA (World Alliance for Breastfeeding Action) novamente desenvolveu o tema da Semana Mundial de Aleitamento Materno, que acontece no mundo todo ente 01 e 07 de agosto.

Esta será a décima sétima edição (as comemorações tiveram início em 1992), para celebrar a Declaração de Innocenti, assinada em 1990, que aborda pela primeira vez a importância e necessidade das ações voltadas para a promoção da saúde.

Os temas sempre estão em consonância com questões atuais e importantes para a saúde materno-infantil e, desde 2016, está alinhada com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que enfoca o ataque à pobreza e à fome, segurança alimentar, melhoria da agricultura sustentável, alcance de uma vida saudável e bem-estar, para todos, em todos os ciclos da vida, assegurar educação inclusiva e de qualidade, igualdade e empoderamento feminino, disponibilidade de água para todos, acesso à energia, crescimento econômico sustentável e acesso ao trabalho, promover infraestrutura, industrialização e inovação, reduzir desigualdades, tornar cidades seguras, inclusivas, resilientes e sustentáveis, assegurar padrões de produção e consumo sustentáveis, combater as mudanças climáticas e seu impacto, conservar mares e oceanos, proteger o ecossistema terrestre, promover sociedades pacíficas, justas e construir instituições eficazes e responsáveis e fortalecer parceria global para o desenvolvimento sustentável.

Em meio a tantos objetivos importantes e urgentes para a manutenção de nossa vida na terra, podemos observar a importância da prática do aleitamento materno para promover o combate à fome, segurança alimentar, alcance de saúde, empoderamento, entre outros. Com esse olhar, o tema da SMAM deste ano é “Empoderar mães e pais, favorecer a amamentação”.

Vejo o tema como grande alegria, pois as pessoas só podem ter poder sobre sua vida e saúde e tomar decisões se buscarem e receberem informações relevantes, atualizadas, embasadas.

Infelizmente, o que temos visto atualmente são informações contraditórias, desencontradas, repletas de conflitos de interesses comerciais, não eficazes, sem linguagem adequada, confusas e que, por fim, ao invés de favorecerem o empoderamento familiar, deixam os pais, especialmente a mãe insegura quando à sua capacidade de maternar, amamentar, parir, cuidar. O que tenho visto no consultório a cada dia é que as mulheres estão inseguras, não sabem o que fazer, ouvem palavras críticas e as acolhem como se fossem verdadeiras: “você está colocando o desenvolvimento do seu filho em risco”, “você vai se responsabilizar se algo acontecer?”, “seu leite é fraco”, “você não é um bicho para ter parto natural, hoje temos a tecnologia a nosso favor”, entre outros absurdos.

Como uma mulher pode se sentir poderosa num ambiente desses, e ainda, muitas vezes, com a família toda contra suas decisões e desejos, aceitando cegamente o que lhes é dito, ou pior, imposto?

Esse tema é muito apropriado para o momento em que tenho recebido tantos relatos que me angustiam: profissionais indicando desmame porque o bebê não ganha peso “adequado”, colocando fórmulas como melhores que o leite materno, que chegam a indicar leite com achocolatado para o bebê ganhar peso, oferecem chás, água de coco e glicose para bebês ainda nas maternidades, ou fórmulas em volumes absurdos sem a menor necessidade, apenas pela insegurança profissional ou pelo medo de uma possível hipoglicemia. Quando dizem para a mãe deixar o bebê chorando no berço para aprender a dormir sozinho, ou para não dar colo para ele não ficar viciado. São tantos absurdos em pleno ano de 2019 se mantendo como há séculos atrás, que não há mais outro caminho a seguir a não ser que mães e pais se empoderem, sejam críticos e tomem decisões informadas pelo que desejam e acreditam ser o melhor para seus filhos.

Vejo com bons olhos a queda do poder e autoridade do profissional de saúde neste sentido. A partir de agora, famílias buscarão conhecimento e poderão discutir com profissionais, que por sua vez terão que estudar e se atualizar, caso contrário perderão mais e mais pacientes, porque não há mais espaço para esse autoritarismo.

Portanto, os objetivos para a SMAM 2019 estão postos, serão por mim trabalhados e por tantos outros profissionais comprometidos com a saúde e bem estar de mães, pais e bebês:

– Informar as pessoas sobre os vínculos entre proteção social parental com igualdade de gênero e amamentação;
– Vincular iniciativas de apoio à maternidade/paternidade e normas/leis sociais com igualdade de gênero em todos os níveis para apoiar a amamentação;
– Envolver-se com indivíduos e organizações para um maior impacto;
– Mobilizar a sociedade para ampliar a proteção social parental com igualdade de gênero para apoiar e promover a amamentação.