Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Saiba quais são as possíveis consequências do uso de bicos artificiais.

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Os hábitos de sucção de bicos artificiais podem envolver alterações na ação de grupos musculares, na mobilidade, na forma das estruturas orais e funções como respiração, mastigação, deglutição, fala e oclusão dentária.

 

  • RESPIRAÇÃO ORAL: o bebê, ao sugar um bico artificial, adquire flacidez muscular de lábios, que permanecem entreabertos e favorecem o início da respiração oral; a língua, que deveria assumir postura com ponta elevada e dorso baixo, também sofre mudanças de tônus muscular e passa a apresentar postura com ponta baixa, repousando sobre o assoalho da boca e pode se posicionar entre as arcadas dentárias.

 

Pesquisas revelam a maior ocorrência de respiração oral em crianças que sugam mamadeira do que nas amamentadas, e quanto maior a duração do aletamento materno, maior a possibilidade de respiração pelo nariz;

 

  • ALTERAÇÕES DE MASTIGAÇÃO: Se no aleitamento materno a musculatura mastigatória é preparada e o crescimento facial bem direcionado, no uso de bicos artificiais ocorre a desorganização de ambos. Em geral, a criança tem a musculatura com tônus reduzido e não possui força mastigatória para reduzir as partículas do alimento. Ela pode mastigar com os lábios entreabertos e ter dificuldade de movimentar o bolo alimentar na boca.

Em consequência, o alimento não sofre o processo completo necessário a uma boa digestão. Dentre as alterações de mastigação, a criança pode apresentar: mastigação muito rápida ou muito lenta, só de um lado da boca, com os dois lados ao mesmo tempo (o ideal é dos dois lados alternadamente), ausência de vedamento labial durante a mastigação, presença de ruídos, participação excessiva de outros músculos que não são da mastigação.

 

A criança apresenta dificuldades em mastigar alimentos sólidos e, quanto mais a família permanecer na alimentação pastosa, maior será o comprometimento muscular e ósseo.

 

  • ALTERAÇÕES DE DEGLUTIÇÃO:  a alteração de deglutição é denominada deglutição atípica. Apresenta as seguintes características: interposição de língua entre as arcadas dentárias, participação excessiva de músculos faciais, ausência ou redução da ação dos músculos mastigatórios, interposição de lábio inferior, movimentos de cabeça associados à deglutição ou presença de ruídos ao engolir.

Na deglutição atípica, a língua exerce pressão sobre os dentes, fato que pode ocasionar alterações no posicionamento dos dentes, como mordida aberta anterior ou lateral.

 

  • ALTERAÇÕES DE FALA: As alterações de fala decorrentes do uso de bicos artificiais se referem principalmente à ocorrência de anteriorização da língua entre as gengivas ou os dentes pela flacidez muscular, o que altera a produção de alguns sons como /t/, /d/, /n/, /l/, /s/, /z/.

Há relação direta entre crianças alimentadas com bicos artificiais e distúrbios da fala quando comparadas com crianças que foram amamentadas. O hábito de sucção prolongado pode modificar as estruturas da boca, provocar alterações musculares e dificuldades de fala.

 

  • PROBLEMAS DE OCLUSÃO DENTÁRIA:  O aleitamento materno é fator de proteção contra alterações de alinhamento dos dentes, mas é importante destacar que os aspectos genéticos também tem um papel importante em sua ocorrência.

Os principais fatores ambientais relacionados aos problemas de oclusão são: reduzida consistência dos alimentos, respiração oral, hábitos orais (sucção de chupeta e mamadeira, por exemplo) e a ocorrência de desmame precoce.

 

É importante também informar que as alterações musculares e dentárias resultantes do uso de bicos artificiais dependem da intensidade, frequência e duração do hábito.

 

Com o conhecimento do potencial de tantos prejuízos à vida e saúde da criança, os pais podem fazer uma escolha consciente, sabendo que todo bico artificial tem um risco de produzir alterações orais. É possível amamentar e passar ao uso do copo com boca larga, sem passar pela fase do uso de mamadeira e chupeta. Dessa forma as chances de alterações podem ser eliminadas ou minimizadas, de acordo com as condições genéticas existentes.

 

Adaptado de: GOMES, C.F. CASSIANO, A. C. M. Fonoaudiologia e aleitamento materno. In: MARTINS FILHO, J.; CARVALHO, S.; MARTINS, Y. São Paulo: Reflexão, 2014.

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