Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Questões emocionais e dificuldades de amamentação

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Em geral, as mães desejam amamentar e, quando a experiência é favorável, a tendência é sempre prolongar o aleitamento materno.

Algumas mulheres apresentam dificuldades iniciais na amamentação e, dependendo da forma como lidam com tais dificuldades, pode acontecer o desmame precoce, ou seja, elas podem abandonar a amamentação completamente.

Além das dificuldades físicas, que ocorrem com frequência, tais como dificuldades de pega e posição, fissuras/dor ao amamentar, ingurgitamento, mastite, dificuldades com ganho de peso do bebê, choro frequente, também há percepções que podem atrapalhar, como a sensação de pouco leite/leite fraco, de que o bebê rejeita a mama ou questões emocionais da mãe, como a sensação de restrição de sua liberdade pela prática da amamentação ou cuidados com o bebê.

Emocionalmente, a mãe passa por momentos de conflitos e ambivalências, que são naturais do processo de reestruturação familiar e identificação como mãe no seio familiar. Outros fatores conjuntamente podem interferir na decisão de dar continuidade ou não na amamentação: questões sociais, culturais e econômicas são importantes e fazem parte da complexa psicodinâmica materna.

A mulher, agora mãe, necessariamente resgata sua condição de filha e sua relação com a própria mãe, aleitamento e interação e tais questões estão presentes em sua amamentação com seu bebê. Desta forma, conflitos, questões inconscientes, angústias e marcas podem emergir nesse processo e precisa ser elaborado, ressignificado e resolvido para que a mulher abrace agora o seu próprio papel de mãe e conquiste uma boa relação com seu bebê, por meio da preocupação materna primária, estado psicológico necessário para a criação e manutenção do vínculo.

É importante, também, que a mulher considere os ganhos e perdas da maternidade de maneira madura. Por ganhos consideramos ter o bebê, ser mãe, atingir o ideal de maternidade e por perdas as mudanças corporais, as limitações pessoais, sociais e econômicas, as limitações temporárias com a carreira). Ao considerar os ganhos e perdas, ela poderá vivenciar, ainda que com tais conflitos ora ou outra com destaque, o prazer de ser mãe, o poder da relação mãe e filho, as realizações inerentes ao fato de ser mãe.

Com maturidade, apoio emocional e profissional, a mulher consegue superar as questões emocionais e físicas e, por fim, reconhecer as gratificações por ser mãe. As dificuldades podem ser superadas com tranquilidade e a felicidade da maternidade vivida em toda sua trajetória, pois como já dizia Thich Nhat Hanh: “Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho”.

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