Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Pouco leite: existe mesmo?

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Em várias situações ouvimos mães referirem que não amamentaram porque tiveram pouco leite ou porque o leite secou. É uma queixa comum, mas será mesmo que tantas mulheres tem pouco leite? Vamos tentar compreender esse mito, pois quase todas as mulheres são capazes de produzir leite em quantidade e qualidade adequadas ao lactante. As mulheres que apresentam realmente problemas físicos são exceção!

As mulheres nascem com o mesmo número de alvéolos, que são as glândulas responsáveis pela produção de leite e também possuem os hormônios da lactação, portanto, podem produzir leite para seus bebês.

 

Após o parto, com a dequitação da placenta, os hormônios da lactação passam a atuar de maneira plena, para a produção e liberação do leite. Nos primeiros dias, o colostro é liberado, leite concentrado, em pequena quantidade, adaptado às necessidades e à capacidade gástrica do bebê. Muitas vezes, ainda no hospital, a mãe começa a acreditar que tem pouco leite devido ao volume do colostro, mas ele é produzido em quantidade ideal.

 

Além da mãe acreditar que tem pouco leite, infelizmente alguns profissionais reafirmam que o leite não desceu, que o bebê terá fome, poderá apresentar hipoglicemia e, portanto, necessitará de complemento. Há um erro de julgamento, pois o colostro será liberado entre 3 a 4 dias após o parto (podendo demorar até 7 dias) e somente nesse momento ocorrerá a descida do leite ou “apojadura”.

 

A apojadura é a descida de grande quantidade de leite. As mamas ficarão cheias, muitas vezes endurecidas e haverá necessidade de amaciar a aréola para favorecer a pega correta do bebê, por meio de ordenha. Algumas mulheres demoram um tempo maior para apresentar a apojadura e algumas simplesmente não percebem a descida do leite. Isso não quer dizer que possuam pouco leite!

 

Para auxiliar na apojadura, a mulher pode amamentar em livre demanda, com maior frequência e estimular a mama por meio de ordenha manual. Pode ser necessário o uso da técnica da translactação, de preferência com uso do próprio leite ordenhado previamente.

 

Após alguns meses a produção do leite se adapta às necessidades do bebê e, em geral, as mamas não enchem tanto como na apojadura. Muitas vezes a mãe não sente sua descida, não há mais vazamento e o bebê pode desejar esvaziar as duas mamas. Isso não quer dizer que a mãe tem pouco leite ou seu leite está fraco; é apenas uma adaptação do organismo.

 

Como a produção láctea depende da estimulação da mama, sendo pela ordenha do bebê ou pela ordenha manual/com bomba elétrica ou manual, caso a mãe deseje aumentar sua produção, algumas práticas podem ser adotadas:

 

  • amamentar em livre demanda
  • permitir que o bebê esvazia uma mama e depois oferecer a outra, que ele poderá ingerir a quantidade que desejar
  • bebês mais novos necessitam de mais tempo para sugar; os mais velhos mamam mais rapidamente. Não há duração ideal, cada bebê tem seu ritmo, pausas e necessidades.
  • verifique a urina: se estiver abundante, sem cheiro e sem cor, o bebê está se alimentando adequadamente
  • verifique as fezes: bebês amamentados não apresentam fezes endurecidas. Podem ficar vários dias sem evacuar, mas as fezes são sempre amolecidas.
  • o ganho de peso é necessário, mas não há exigência que seja um ganho fixo para que ele tenha crescimento e desenvolvimento adequados. Cada bebê tem uma estrutura corporal, fome, ritmo  de sucção e de crescimento. O importante é ganhar peso.
  • quando o bebê chorar, identifique as possíveis causas, já que nem sempre o choro é sinal de fome: verifique as fraldas, se pode estar com calor ou frio, alguma dor ou simplesmente se precisa de contato corporal. Se você amamentou, o choro não é de fome.
  •  não se preocupe com o volume de leite. O leite ordenhado não corresponde à capacidade de produção. É sempre bom lembrar que o leite é produzido enquanto o bebê mama.
  • o bebê passa por saltos ou picos de crescimento com frequência. Isso significa que ele cresce e precisa de mais leite para sua alimentação. Nessas fases, ele terá fome com maior frequência e pode precisar ficar mais tempo na mama. Permita que ele mama o que necessitar, assim a produção se adaptará à sua necessidade.
  • você pode realizar ordenha manual ou com bomba após as mamadas ou nos intervalos. Não faltará leite para o seu bebê, ao contrário, haverá estímulo para maior produção.
  • verifique e corrija a pega e posição para amamentação; a pega e ordenha ineficazes podem promover redução da produção de leite materno.
  • ingerir líquidos em quantidade suficiente (não exagerar) e ter uma alimentação saudável auxilia na produção láctea
  • não utilizar bicos artificiais (chupetas, mamadeiras, intermediários de silicone), pois eles modificam a dinâmica oral e podem atrapalhar a ordenha de leite materno
  • Sempre que possível, descanse.

 

Por outro lado, a insegurança materna na qualidade e quantidade de leite, bem como dor e stress, podem dificultar a liberação de leite da mama. Ainda que a produção esteja adequada, a presença de adrenalina no sangue impede a ação da ocitocina, que é responsável pela liberação láctea.

 

Muitas vezes a ocorrência de mamadas frequentes e do choro do bebê podem ser interpretados como sinais de pouco leite, no entanto é importante que as mães entendam que quanto mais novo o bebê, mais ele mamará. O choro é sua forma de comunicação em todas as situações e nem sempre o choro significa fome.

 

A ansiedade materna é transferida ao bebê, que pode apresentar mais choro. Este ciclo vicioso geralmente leva a mãe à complementação desnecessária e mais tensão. Infelizmente esse ciclo pode levar ao desmame precoce, pois o bebê sugará menos a mama, reduzindo a produção de leite.

 

É importante, portanto, a mãe ter segurança em sua produção láctea, ter confiança de que o seu leite é o mais adequado e de melhor qualidade e que há formas de aumentar sua quantidade, caso seja necessário.

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