Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Posso amamentar quando estiver doente?

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É recorrente o questionamento das mães sobre a amamentação e doenças maternas. As dúvidas sobre as possibilidades e riscos de se amamentar com gripe, zika, H1N1, febre, mastite, etc. preocupam as mulheres, geralmente pelo receio de que os bebês sejam contaminados.

 

O leite humano é específico para os bebês humanos. Possui, além de todos os componentes nutritivos ideais para o crescimento e desenvolvimento da criança, várias células de proteção que é resultado do sistema enteromamário que funciona da seguinte forma: a mulher que amamenta entra em contato com algum microorganismo patogênico (pelo sistema respiratório ou intestinal) e ocorre uma reação do organismo para a produção de anticorpos, que são direcionados também para a mama, passando pelo leite para a proteção do bebê. Desta forma, muitas doenças são prevenidas e, ainda que a mãe apresente a doença e o bebê  tenha sido exposto ao microorganismo, os anticorpos o protegem.

 

Caso a mãe suspenda a amamentação quando perceber alguns sinais e sintomas de alguma doença, o que pode ocorrer é o bebê não receber esses anticorpos que são transmitidos no leite materno, o que aumenta as chances de ele adoecer, por isso é importante uma avaliação de cada caso e de cada patologia.

 

Em alguns casos a mãe pode continuar amamentando sem riscos:

– infecção urinária,

– infecção bacteriana da parede abdominal,

– mastite

– gripe

– H1N1

– dengue

– zika

– diarreia (manter cuidados de higiene)

– condições físicas em que a mãe não esteja muito comprometida

 

No entanto, algumas doenças podem ser transmitidas pelo leite materno, por isso é importante conhecer quais são essas doenças e, assim, buscar apoio profissional adequado.

 

  • Infecções virais

Ainda que várias infecções por vírus possam ser transmitidas pelo leite materno, apenas em 3 situações a amamentação é totalmente contraindicada:

– HIV

– vírus T-linfotrópicos humanos tipo I (HTLV I)

– vírus T-linfotrópicos humanos tipo II (HTLV II)

 

As demais infecções virais (hepatite, herpes, sarampo, caxumba, citomegalovírus, rubéola) tem baixo risco de transmissão pelo leite, portanto a indicação geral é que a amamentação seja mantida e, em algumas situações, suspender temporariamente a amamentação até que a mãe seja tratada. O manual da ANVISA para Bancos de Leite Humano (2008) faz algumas orientações sobre essas doenças:

 

No caso do citomegalovírus:

citomegalovirus

Fonte: Manual da ANVISA para Bancos de Leite Humano (2008)

 

Para os casos de varicela:

varicela

Fonte: Manual da ANVISA para Bancos de Leite Humano (2008)

 

Para mães com herpes simples 1 e 2:

herpes

Fonte: Manual da ANVISA para Bancos de Leite Humano (2008)

 

Nos casos de sarampo:

sarampo

Fonte: Manual da ANVISA para Bancos de Leite Humano (2008)

 

Abaixo, uma tabela para orientar sobre as doenças virais e amamentação (Manual da ANVISA para Bancos de Leite Humano, 2008):

resumo doenças e amamentação

 Fonte: Manual da ANVISA para Bancos de Leite Humano (2008)

 

  • Infecções bacterianas

As infecções por bactérias precisam ser avaliadas e tratadas o mais precocemente possível e a amamentação pode ou não ser mantida de acordo com a época em que a doença foi diagnosticada. Em muitas situações, o tratamento da mãe e alguns cuidados permitem a manutenção da amamentação.

 

No caso da tuberculose, como a principal via de contaminação é a respiratória (no caso da tuberculose pulmonar), a amamentação deve ser mantida com os cuidados com as vias respiratórias (uso de máscara, evitar contato íntimo, lavagem das mãos).  A mãe deve ser tratada o mais precocemente possível e se houver necessidade de separação mãe-bebê, o leite materno deve ser ordenhado e oferecido a ele.

 

Nos casos de tuberculose materna, é importante realizar acompanhamento médico e os cuidados para cada situação, bem como o acompanhamento do crescimento e desenvolvimento do bebê.

 

No caso de Hanseníase, como a transmissão é pelas secreções nasais e pele, a amamentação pode ser mantida se a mãe e o bebê estiverem em tratamento e forem realizados os cuidados com lavagem das mãos, uso de máscara e oclusão dos locais afetados para manipular o bebê, especialmente se houver lesão nas mamas.

 

A sífilis não contraindica a amamentação se a mãe estiver em tratamento. Se as lesões forem nas mamas e a mãe não estiver em tratamento, a amamentação e mesmo a ordenha é contraindicada, mas se ela iniciar o uso de medicamentos, após 24 horas de tratamento já é possível amamentar ainda que as lesões sejam nas mamas.

 

A brucelose contraindica a amamentação temporariamente, pois a bactéria é encontrada no leite materno e pode contaminar o lactente. Nesse caso o leite pode ser ordenhado e o leite pasteurizado e oferecido até que a mãe seja tratada ou então oferecer leite humano do banco de leite.

 

  • Infecções parasitárias

As infecções parasitárias mais comuns são a malária e a doença de Chagas. No caso da Malária, a mulher pode amamentar sem restrições. Já na doença de Chagas, a mãe não deve amamentar na fase aguda da doença ou se houver fissuras mamilares.

 

Abaixo um resumo sobre a amamentação na vigência de doenças bacterianas e parasitárias na mulher (Manual da ANVISA para Bancos de Leite Humano, 2008):

doenças bacterianas e parasitárias

Fonte: Manual da ANVISA para Bancos de Leite Humano (2008)

 

  • Infecções fúngicas

As infecções por fungos não contraindicam a amamentação. A atenção especial deve ser dada aos medicamentos utilizados, que podem contraindicar a amamentação temporariamente.

 

Como se pode observar, a grande maioria das doenças não contraindica a amamentação, porém há necessidade de tratamento precoce para que o bebê seja protegido e a mãe se recupere. Por isso, informação, diagnóstico e tratamento adequdos são imprescindíveis tanto para a saúde da mãe quanto do bebê.

 

Nas situações em que houver necessidade de suspensão temporária da amamentação, a mãe deve manter a ordenha frequente das mamas e realizar o armazenamento adequado do leite, para manter sua qualidade e propriedades. Em algumas situações seu próprio leite poderá ser administrado ao bebê e, nessa impossibilidade, a primeira opção é oferecer leite humano pasteurizado do banco de leite até a liberação do retorno à amamentação.

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