Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Porque não empurrar a cabeça do bebê contra o seio

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Existem algumas práticas relacionadas à amamentação que geram dúvidas nas mães. Elas, em geral, não se sentem confortáveis, porém não comunicam sua angústia por serem mães de primeira viagem ou ficarem apreensivas com os profissionais de saúde ou familiares.

 

Hoje entenderemos porque não é recomendável que profissionais ou familiares empurrem a cabeça do bebê em direção à mama, ainda que estejam tentando ajudar a dupla mãe-bebê.

 

Essa prática é mais comum do que se imagina! Profissionais de saúde, muitas vezes com intenção de ajudar nas primeiras mamadas, tem o hábito e empurrar a cabeça dos bebês em direção ao seio, pois acreditam que o bebê não sabe pegar ou mamar.

 

Na verdade, a grande maioria dos bebês já nasce pronto para isso, com todos os reflexos de alimentação e proteção, já tendo treinado a sucção no útero e deglutido o líquido amniótico por vários meses. Ao nascer, estão prontos, com o sentido do olfato bem desenvolvido e, especialmente se nascer de parto natural, tem todas as condições de engatinhar até a mama por causa do cheiro.

 

Caso o bebê seja colocado em contato com a mãe logo após o nascimento, o que é recomendável, ele permanecerá alerta por algum tempo, e o primeiro contato com a mãe será realizado. Ele pode lamber, sugar, colocar a boca, olhar. Depois de algum tempo entrará em sono e pode ficar algumas horas assim. Caso seja separado de sua mãe, esse momento será perdido e terá que ser proporcionado posteriormente, mas a questão é que o bebê pode não estar alerta e muito interessado.

 

É sempre importante que os pais exijam alojamento conjunto para, além do contato e estabelecimento do vínculo, saibam tudo que está sendo oferecido ao bebê. Por exemplo, um bebê que ingere complemento após o nascimento tem a tendência de permanecer várias horas dormindo e não demonstrar fome tão cedo. A mãe fica preocupada porque o bebê não está mamando e o fantasma da hipoglicemia começa a aterrorizar a todos.

 

Se o bebê não recebeu complemento e não está demonstrando vontade de mamar, os pais precisam saber que há uma reserva no organismo de seu filho que impede a hipoglicemia. Eles podem aguardar que o bebê tenha fome para iniciar a amamentação. Apenas em casos específicos, em que o bebê está realmente com hipoglicemia, um complemento pode ser necessário, sempre em pequena quantidade, de preferência leite materno ordenhado da própria mãe ou de um Banco de Leite Humano.

 

Muitas vezes os profissionais de saúde tentam “estimular” a amamentação nesse momento em que o bebê quer dormir ou não está disponível para mamar e aí começa a prática de empurrar a cabeça do bebê para mamar, mesmo que ele não queira, não tenha fome ou não demonstre interesse.

 

Em psicanálise é dado enfoque à importância de o bebê buscar o seio e encontrá-lo, descobrindo-o, para o psiquismo infantil. Ele deve estar alerta, em contato íntimo com a mãe, sem interferências e buscar por si só o seio, o leite, a sucção. A interrupção desse momento pode atingir diretamente o estabelecimento do vínculo e a amamentação.

 

Além disso, sabe-se que todo bebê tem um reflexo de se livrar quando sua cabeça é apertada. Com isso vira uma luta, transformando o momento da amamentação num stress desnecessário: profissional apertando e bebê tentando se livrar. Já atendi muitos bebês que ficaram traumatizados e choravam muito apenas de serem colocados em posição de amamentação. O tratamento nesses casos pode ser longo!

 

Por isso não permita que ninguém empurre a cabeça do bebê para a mama. Ajuda sempre é bem-vinda, mas é importante que o profissional ensine a mãe a estimular o reflexo de procura do bebê e dê apoio na lateral da cabeça para direcioná-lo à mama. É importante que favoreça a boa postura da mãe e do bebê e a boa pega, mas no momento em que o bebê estiver disposto.

 

 

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