Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Por que o bebê recusa meu peito?

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É comum ouvirmos a queixa de que o bebê recusa o peito, chora, se joga e não mama. As mulheres ficam desesperadas achando que o bebê não tem mais interesse no leite materno ou rejeitam a própria mãe, mas essas explicações não estão baseadas nas evidências, apenas em sentimentos. Muitas vezes o desmame acaba por se impor porque os pais não sabem como lidar e até mesmo resolver problemas simples.

 

Alguns bebês podem recusar inicialmente a amamentação por causa da fase de adaptação. Ao nascer, o bebê tem os reflexos responsáveis pela alimentação, mas precisa se adaptar ao tamanho da mama, mamilo, forma de ser segurado, fluxo do leite, por isso as dificuldades podem acontecer nos primeiros dias de vida. Isso não quer dizer que o bebê não deseje mamar, apenas que está se adaptando. Nessa fase é importante o auxílio de uma consultora de amamentação e muita paciência, até que o bebê tenha condições de mamar. Em algumas situações pode ser necessário uso do copo, ordenha manual de leite ou método da translactação.

 

Quando o bebê está com alguma área do seu corpo dolorosa, ele chora ao ser colocado em determinadas posições e, em geral, os pais associam à amamentação. Como a dor é de difícil identificação, a mudança de posição é importante. Muitos bebês sentem dores no pescoço quando mantidos muito tempo na mesma posição, podem sentir dor em regiões em que foram vacinados ou mesmo ter locais do corpo doloridos após o parto. O importante é que os pais estejam atentos e tomem os devidos cuidados.

 

Como já abordado tantas vezes, o uso de bicos e intermediários de silicone podem dificultar a pega correta e ordenha do leite materno, além de promover a confusão de bicos. Quando um bebê muda o padrão de sucção que fazia na mama para a sucção dos bicos, ele tem dificuldades em extrair o leite e chora, se debate, pega e solta a mama várias vezes, movimenta-se e a mãe associa à falta de leite ou alguma dor. O bebê, no caso de confusão de bicos, deseja mamar mas não consegue, pois a forma de sugar muda e não se adapta à amamentação. Por isso é importante não utilizar bicos e, se isso já ocorreu, retirá-los por completo e buscar auxílio de uma consultora em amamentação.

 

Em muitas situações a posição do bebê pode dificultar a pega e extração de leite. É uma coisa tão simples e tão pouco percebida! O bebê deve estar alinhado (cabeça, pescoço e coluna), para que consiga permanecer pelo tempo necessário na mesma posição sem sentir desconforto. Por exemplo, um bebê que fica desalinhado no colo da mãe, com a barriga para cima e a cabeça virada para a mama, sentirá dor no pescoço em alguns minutos e isso dificultará a pega, fará com que o bebê solte, chore. Apenas com a correção da posição a pega pode melhorar e a mamada ficar muito mais tranquila!

 

Uma situação também comum que pode dificultar a amamentação são os problemas na mama. Quando a mama está muito cheia, isso dificulta a pega e ordenha do leite, causando stress no bebê, com choro excessivo e irritação. Manter as mamas macias, muitas vezes com massagem e ordenha do leite da aréola, com a finalidade de deixá-la adequada para o bebê pegar, pode eliminar as dificuldades. Essa dica também vale para mulheres que tem mamilos planos ou invertidos: manter a aréola macia pode ajudar na pega do bebê.

 

Uma outra situação que a mulher muitas vezes não percebe é a alteração de fluxo de leite nas mamas. Fluxo intenso ou reduzido pode fazer com que o bebê se irrite, engasgue, vomite. É importante a mulher perceber como é o seu fluxo habitual, bem como as mudanças que podem ocorrer. Nos casos de fluxo intenso, a mulher pode ordenhar parte do leite antes de colocar o bebê para mamar. No caso de fluxo reduzido, utilizar de técnicas para aumentar a produção e sua liberação.

 

Bebês com problemas respiratórios podem apresentar grandes dificuldades de amamentação, já que respiram exclusivamente pelo nariz. Ao contrário de nós, adultos, que respiramos pela boca quando as vias nasais estão obstruídas, o bebê não sabe respirar pela boca, por isso é muito importante os pais estarem atentos aos problemas respiratórios dos bebês. Uma simples obstrução ou o posicionamento do bebê na mama de forma que obstrua as narinas pode interferir no andamento da amamentação. Procure auxílio médico ao perceber dificuldades para seu bebê respirar.

 

Finalmente, alguns bebês podem apresentar dificuldades de sucção, por isso choram, largam e se debatem. A sucção fraca, a mordida ao invés de sucção, engasgos frequentes, movimentos alterados de língua, dificuldades de abertura da boca podem atrapalhar a amamentação e, nesses casos, é importante que os pais procurem ajuda profissional.

 

Ao conhecer as possíveis causas da recusa da amamentação, é possível procurar atendimento profissional e evitar o desmame precoce.

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