Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Por que o bebê não quer meu peito?

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Outro discurso bastante comum na amamentação é que o bebê não quer mais mamar no peito, por isso a mãe precisará oferecer outros leites e mamadeira. Na verdade, todos os bebês desejam fortemente a mama e, ainda que de forma inconsciente, eles o buscam e desejam reviver a experiência do útero. O seio é, então, uma extensão da vida intrauterina e tem valor importantíssimo no desenvolvimento psíquico da criança. 

 

Se por um lado a psicanálise entende a importância da amamentação e do desejo do bebê em mamar o peito, do vínculo que é formado e da fusão entre o seio e o bebê, que se estabelece ao nascimento e seguirá até os primeiros anos de vida da criança até que ela desenvolva o ego, se perceba como um sujeito separado de sua mãe e tenha condições de se distanciar de seu corpo em alguns momentos e por cada vez mais tempo, por outro lado a fisiologia nos mostra que o bebê adquire e desenvolve as capacidades de sugar, engolir, respirar e sua coordenação entre elas ainda no útero. Nasce pronto para se alimentar por meio da amamentação, a forma natural da espécie.

 

O que ocorre em algumas situações são dificuldades físicas e emocionais, não uma recusa ou rejeição do seio materno por opção do lactente, por isso é importante o conhecimento dessas situações e como solucioná-las para manter a amamentação exclusiva até o sexto mês e com alimentação complementar até 2 anos ou mais. Algumas situações que podem dar a impressão que o bebê está rejeitando a mama são:

 

Uso de bicos artificiais (chupetas, mamadeiras, intermediários de silicone) –  ao mudar o padrão de sucção do bebê, promovem a chamada confusão de bicos e ainda que ele deseje mamar, não consegue a pega e ordenha adequadas. Isso resulta na prática do bebê pegar e soltar, chorar ao ser colocado na mama, não manter a pega, não sugar, machucar o mamilo, não conseguir retirar o leite necessário ou esvaziar a mama.

 

Redução da produção láctea – principalmente por mamadas pouco frequentes, intercalando com outros leites e bicos artificiais, dificuldades de sucção do bebê que não consegue esvaziar a mama, longos períodos sem amamentar. Quando o fluxo de leite tem redução, o bebê sentirá essa mudança e pode dar a impressão de rejeitar a mama. Ordenha ou esvaziamento frequente para aumentar a produção podem ajudar.

 

Problemas de sucção do bebê – alguns bebês (prematuros ou com disfunções orais) podem apresentar dificuldades, tanto por uso de bicos, como já mencionado no item 1, quanto por iatrogenias (uso de sondas de alimentação, ventilação mecânica, ‘língua presa’, entre outros). Nesses casos, a mãe deverá buscar apoio especializado para avaliar, intervir e solucionar os problemas de sucção do lactente, permitindo que ele consiga a pega e esvaziamento correto das mamas.

 

Situações e doenças do bebê – em algumas situações como refluxo gastroesofágico, alergia à proteína do leite de vaca (que pode passar pelo leite materno pela ingestão de leite e derivados por parte da mãe), dores (resultantes de vacinação, por exemplo), erupção dentária, otite, etc, os bebês podem demonstrar inquietação durante a mamada, choros, ordenha ineficiente e, em alguns casos, não conseguir mamar. Se o bebê não utiliza bicos artificiais, a mãe deve procurar auxílio médico para diagnóstico e tratamento.

 

Mudanças no sabor do leite – como o leite recebe substâncias e o sabor (flavor) de tudo que a mulher ingere, o leite pode apresentar mudanças de sabor que são desagradáveis ao bebê, como por exemplo alguns medicamentos, a prática de exercícios físicos de alta performance, nova gravidez, produtos que a mãe utilize nas mamas, entre outros. A mulher precisa prestar atenção e tentar identificar a ingestão de algum alimento, uso de substância ou mudanças na rotina de atividades físicas com o início da percepção de rejeição da mama. No caso de nova gravidez, a mudança no sabor do leite é transitória.

 

Greve de amamentação – os bebês podem passar por períodos de greve de amamentação quando estão doentes, percebem mudanças bruscas da rotina, há excesso de uso de bicos artificiais, problemas respiratórios, refluxo gastroesofágico, separação da mãe, monilíase (sapinho), otites, stress materno, problemas familiares, mastite, entre outros. A greve da amamentação geralmente é passageira (dura em média 4 dias), por isso a família deve estar atenta e ajudar no retorno à rotina, bem como nos cuidados e tratamento de algumas doenças.

 

Emoções maternas – a dor e incômodo para amamentar, tristeza materna, dificuldades de vínculo, problemas familiares, etc, podem ser sentidos pelo bebê e ele reage muitas vezes com dificuldades de pega e sucção. Como ele sente as mudanças de respiração, batimentos cardíacos, forma de segurar e realizar os cuidados e mudanças na voz, o bebê reage a essas mudanças com choro e inquietação. Com o retorno da mãe à tranquilidade e calma, o bebê também se acalmará. A mulher necessita de compreensão, apoio, empatia e muitas vezes tratamento para superar as dificuldades.

 

Deste modo, podemos perceber que o bebê jamais rejeita a mama materna, mas ele reage a problemas internos e externos com choro, inquietação, falta de manutenção da pega. Essas informações podem trazer maior tranquilidade à mãe e, ao observar que o bebê está com dificuldades, ao invés de desistir e oferecer outros leites/bicos, ela pode procurar ajuda!

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