Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Por que meu filho não quer comer?

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É muito comum a queixa dos pais sobre a recusa ou seletividade para a criança comer, desde a introdução alimentar até a fase pré-escolar e escolar. Mas será que a criança realmente não come? O que significa recusa alimentar e seletividade alimentar? Quando os pais devem se preocupar?

 

A cada 10 crianças, 7 tem dificuldades alimentares, portanto, essa não é uma situação incomum, mas preocupa muito os pais e familiares. Por que isso acontece? Como agir? O que se pode fazer frente uma criança que não quer comer?

 

O pediatra espanhol Carlos González indica que toda a criança irá comer, mais cedo ou mais tarde. Nenhuma criança será amamentada para sempre e um dia ela se interessará por outros alimentos. A questão é que, muitas vezes, os profissionais de saúde pressionam os pais de maneira desnecessária para que a criança coma determinadas quantidades, em determinados horários, preparações com determinados alimentos, de determinada consistência.

 

È importante lembrar que nós, adultos, comemos em quantidades diferentes de acordo com nossa saúde, nível de stress, vontade, escolhemos os alimentos que gostamos e preparados da maneira que mais apreciamos. É muito difícil comermos todos os dias no mesmo horário, que em alguns dias acordamos mais tarde, então não teremos fome ao meio dia, ou o café da manhã foi mais reforçado, então no horário do almoço comeremos menos. No inverno temos mais fome e buscamos alimentos mais nutritivos e no verão podemos ingerir mais líquidos e comer alimentos mais leves.

 

Da mesma forma é a criança, com a diferença que ela está aprendendo a mastigar, a reconhecer os alimentos, seus sabores, texturas, cores, consistências, que tudo é novo e que a ansiedade, insistência, preocupação e stress relacionados ao momento da refeição pode fazer com que a criança não deseje aquela experiência, a evite, chore.

 

Para entendermos um pouco o que pode acontecer, é importante diferenciar a recusa alimentar da seletividade. Recusa alimentar é quando a criança rejeita a alimentação e pode ser também chamado de fobia alimentar. Em geral, é motivo de grande angústia, especialmente em relação à saúde, peso e desenvolvimento.

 

Já a seletividade alimentar ocorre quando a criança aceita apenas determinados alimentos, com cheiro, textura, sabor e aparência que lhe agradam. Essas crianças geralmente tem dificuldades em manipular os alimentos, em se sujar, em permanecer em ambientes muito ruidosos, muitas vezes se incomodam com pequenos pedaços de alimento  na boca, o que caracteriza problemas sensoriais. A criança pode rejeitar alguns alimentos ou grupos inteiros, o que preocupa os pais com as questões nutricionais.

 

É importante também conhecer as possíveis causas da recusa ou seletividade alimentar (Kachani et al., 2005):

 

  1. Problemas orgânicos – infecções, problemas gastrointestinais, como por exemplo refluxo gastroesofágico, vômitos, diarreia, intolerância ou alergias alimentares), carências de vitaminas/minerais, desnutrição, transtornos metabólicos congênitos podem fazer com que a criança não coma, coma pouco ou seja seletiva.

 

  1. Problemas psíquicos – problemas na relação mãe-filho, falta de limites, alterações na rotina da criança, separação, falecimento, nascimento de irmão, tensão familiar

 

  1. Problemas emocionais – a criança que busca chamar a atenção ou que seus desejos sejam satisfeitos, problemas de ajustamento, desmame, introdução alimentar inadequada, falta de conhecimento sobre o desenvolvimento alimentar da criança

 

  1. Problemas comportamentais dietéticas – monotonia alimentar, consistências pastosas, sabores, texturas, odores e aparências desagradáveis

 

  1. Outras causas – alterações ambientais, horários inadequados de alimentação com relação a sono e atividades escolares, medo do engasgo, imaturidade dos movimentos da língua, dependência excessiva dos pais.

 

Muitas crianças com rejeição ou seletividade estão com peso, estatura e desenvolvimento dentro dos padrões de normalidade, e nesses casos não há porque se preocupar. Oferecer os alimentos, permitir que a criança os explore e coma o que quiser, o quanto quiser, quando e por quanto tempo desejar, transformar o momento da alimentação em uma oportunidade de aprendizado, prazer, alegria, comunicação.

 

No caso da criança com está com problemas com peso e desenvolvimento, é imprescindível que haja acompanhamento de uma equipe interdisciplinar (médico, gastropediatra, psicólogo, nutricionista, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional) para identificar e tratar problemas orgânicos, motores orais e musculares, emocionais, permitindo que a criança tenha prazer alimentar.

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