Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Por que é importante o bebê mamar na primeira hora de vida?

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O maior impeditivo para a prática da amamentação na primeira hora são as práticas hospitalares, com suas normas e rotinas engessadas e muitas vezes desnecessárias.

 

É claro que se o bebê não nasce em boas condições de vitalidade serão necessárias intervenções e até mesmo a separação. Alguns recém-nascidos podem necessitar de reanimação, permanecer em observação por algum tempo e algumas precisarão de suporte em uma UTI neonatal. Nesses casos é totalmente compreensível que o bebê não tenha condições de realizar a mamada na primeira hora.

 

No entanto, essas são exceções. A maioria dos bebês nasce bem, independentemente do tipo de parto, e tem todas as condições de serem colocados em contato com suas mães.

 

As intervenções que desfavorecem o contato pele a pele e olho no olho, bem como a amamentação na primeira hora são, na maioria das vezes, desnecessárias: banho, pesagem, aspiração de vias aéreas, aplicação de vitamina K e colírio de nitrato de prata. Muitas dessas práticas não possuem mais indicação científica e outras podem aguardar para serem realizadas.

 

A equipe de saúde precisa compreender a importância desse momento, não só para o estabelecimento da amamentação, mas para a criação do vínculo afetivo.

 

Inicialmente é importante compreendermos que o nascimento é um evento traumático para mãe e bebê, ainda que seja humanizado. É traumático porque ambos estavam em íntima relação durante toda a gestação; a mãe protegendo e o bebê totalmente atendido em suas necessidades, sem nenhuma falta.

 

Ao nascer, o bebê já precisa respirar e se alimentar, dessa forma a falta se impõe a partir do primeiro momento. Todo conforto, segurança, prazer e bem-estar se transformam em necessidade de uma hora para outra.

 

Quando esse bebê é imediatamente colocado no colo da mãe, ele tem reconhecimento do cheiro, dos batimentos cardíacos, do som da circulação, da voz materna. Já possui o instinto de buscar o seio e sugar e é direcionado pelo olfato, ou seja, pelo cheiro do leite, já que sua visão ainda não está desenvolvida completamente.

 

Nesse momento, o recém-nascido busca o seio e, ao encontrá-lo, a sensação de plenitude e prazer retorna. Ele se sente novamente seguro e reconhecendo onde está. Ainda que a visão não esteja completamente desenvolvida, a distância do seio materno ao rosto da mãe é bem nítido e aí começa a que chamamos de imprinting, é a identificação entre mãe e bebê e a formação do vínculo afetivo, que teve início na gestação.

 

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