Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Perguntas e respostas sobre amamentação

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– O lei materno é o primeiro alimento que uma pessoa ingere, qual é a importância deste alimento e os benefícios?

Resposta: O leite materno é o alimento mais importante da vida de uma pessoa, especialmente o colostro, que é repleto de anticorpos para a proteção do bebê, já que este não possui seu sistema imunológico formado, é o leite materno que conferirá a proteção contra doenças. Além disso, o leite materno é o único que possui todos os nutrientes em quantidade e qualidade adequadas para o recém-nascido humano, é de fácil e rápida digestão, atua na formação do cérebro e favorece até a inteligência, de acordo com estudo recente realizado no sul do Brasil.

 

– Qual é o momento ideal para a primeira mamada? Logo após o nascimento? Uma hora depois? Três horas?

Resposta: a primeira mamada deve ser viabilizada dentro da primeira hora após o nascimento, de preferência ainda na sala de parto natural ou cesariana. Se o bebê nascer com boas condições de vitalidade, a recomendação do Ministério da Saúde é que ele seja colocado em contato com a mãe imediatamente, sendo que ações como pesar, medir, banhar, etc, podem ser deixados para outro momento. Além da primeira mamada, o contato pele a pele e olho no olho é imprescindível para a formação do vínculo afetido entre mãe e bebê, além de prevenir várias complicações e doenças.

 

– Além do leite em si, podemos dizer que o bebê também se alimenta da mãe? Do contato, do afeto, do calor?

Resposta: Certamente. O bebê, ao nascer, passa pelo primeiro trauma da sua vida. Até então não sentia nenhuma falta: era alimentado, aquecido, embalado, envolvido. Ao nascer a falta é inscrita em seu psiquismo e o contato imediato com o corpo materno reduz esse efeito traumático. O vínculo criado e desenvolvido será de grande importância para seu desenvolvimento físico e emocional.

 

– Leite materno é suficiente ou alguns bebês podem precisar de complemento alimentar?

Resposta: Todos os bebês devem ser amamentados com leite materno exclusivamente até os 6 primeiros meses de vida. Após esse período, devem iniciar a alimentação complementar, mantendo o aleitamento até 2 anos ou mais. A grande maioria dos bebês tem condições de mamar e as mães, de produzir leite em quantidade e qualidade, mas a técnica incorreta, algumas práticas hospitalares, orientações inadequadas, regras rígidas de intervalos, tempo de mamada e até problemas com a mãe ou o bebê podem promover uma redução na produção de leite. Com orientação de um profissional capacitado é possível reverter o quadro. Em apenas algumas exceções o bebê pode necessitar de outro tipo de leite, sempre com recomendação médica após avaliação detalhada e diagnóstico correto.

 

– Existe diferença na saúde dos bebês da amamentação exclusiva com os que consomem leites artificiais ou de outros animais?

Resposta: Como o leite materno possui todos os nutrientes necessários ao bebê e os leites artificiais, por mais que a indústria se esforce por produzir um leite de qualidade, jamais conseguirão reproduzir a qualidade e quantidade dos nutrientes, probióticos e anticorpos presentes no leite materno.  O leite materno previne doenças no bebê, favorece o crescimento e desenvolvimento adequado e nutrição ótima. Já o leite industrializado geralmente é produzido a partir do leite de vaca, que possui uma proteína que é altamente alérgena. Quanto mais cedo um bebê entra em contato com essa proteína, maiores chances de desenvolver alergia à proteína do leite de vaca (APLV), por isso não há recomendação de uso desse tipo de leite antes do primeiro ano de vida (o que se torna totalmente desnecessário se o bebê for amamentado). Ainda podemos citar o risco de obesidade, devido à quantidade e qualidade da gordura presente no leite artificial, além de outras doenças.

 

– Quais são os maiores desafios da amamentação? Quem pode ajudar a mãe e o bebê?

Resposta: O maior desafio da amamentação é compreender que este é um ato aprendido. O processo de lactação é natural, mas a prática da amamentação depende de vários aspectos, como questões emocionais, sociais, culturais, socioeconômicas. A mulher precisa, além de se informar muito, a partir de literatura científica, ter apoio familiar e de profissionais de saúde que tenham competências e habilidades para auxiliá-la em suas dificuldades. Amamentar muitas vezes não é fácil, dá trabalho, é cansativo, portanto é um investimento na saúde e desenvolvimento do novo membro da sociedade e deve ser incentivado, apoiado e protegido por todos.

 

– Bico invertido pode atrapalhar a amamentação?

Resposta: o bico invertido é uma má formação mamilar que geralmente é unilateral e em algumas situações pode dificultar um pouco, mas não impedir a amamentação. Como o bebê precisa pegar a aréola para conseguir extrair o leite, então o bico (mamilo) não é essencial para a pega correta e ordenha do leite. O importante, nesses casos, é manter essa aréola bem macia e ter apoio profissional para favorecer a pega do bebê e, consequentemente, a amamentação. Buscar apoio de um banco de leite humano ou de um consultor em amamentação é de grande auxílio para a mãe, pois existem muitas técnicas e orientações que podem ser fornecidas.

 

– Quando a mãe precisa se ausentar do bebê, como garantir que ele receba o leite materno? (acho que aqui poderíamos utilizar a sua técnica do copinho)

Resposta: No caso da mãe que necessita voltar ao trabalho, por exemplo, a recomendação é que ela extraia seu próprio leite e faça um estoque 15 dias antes de seu retorno. O leite deve ser armazenado em freezer ou congelador e tem validade de 15 dias. Ao retornar ao trabalho, a pessoa responsável por sua alimentação e cuidado poderá descongelar o leite na geladeira ou em banho maria com o fogo desligado e oferecê-lo por copo ao bebê. Lembrando que o leite, após descongelado, tem validade de  12 horas na geladeira.

Para se oferecer o leite por copo é necessário técnica e treinamento, pois é importante que o bebê faça movimentos de lamber o leite do interior do copo e tenha a possibilidade de se autorregular, ou seja, ingerir o leite e realizar pausas quando desejar, bem como decidir o volume a ser ingerido

 

– As mamadeiras podem ser uma boa solução? O que ela gera no bebê que as utiliza?

Resposta: A mamadeira definitivamente não é a solução, assim como a chupeta. Todos os bicos artificiais reduzem a duração do aleitamento materno, de acordo com os estudos na área. Além disso, a partir do momento que os pais inserem um bico artificial na vida do bebê, existem grandes chances dele desenvolver o que chamamos de confusão de bicos, que é a mudança de postura oral e muscular que ocorre na sucção do bico e impede que o bebê mame no seio materno de forma eficiente. O que acontece, de forma brusca ou paulatina, é que o bebê estimula menos a mama e começa a ter preferência pelo bico, o que promove redução da produção de leite e consequente desmame.

 

– Como conciliar a introdução alimentar e a amamentação?

Resposta: A introdução alimentar deve ter início a partir dos 6 meses, nunca antes, pois não há maturidade neurológica nem gastrointestinal para a digestão de alimentos mais sólidos. Aos 6 meses eles geralmente já senta, consegue imitar o adulto no ato de se alimentar, consegue segurar o alimento e levá-lo à boca, tem competência motora para aprender a mastigar e interesse pelos alimentos. Nesse caso, a amamentação ainda é o alimento mais importante até o primeiro ano e o alimento é que é complementar, por isso a mãe pode manter aleitamento em livre demanda e iniciar as refeições em horários maleáveis, de preferência no momento da alimentação da família.

 

– Existe a hora certa de interromper a amamentação?

Resposta: O desmame é uma decisão exclusiva da mulher. Ela saberá quando seu bebê está pronto e quando ela também está pronta, mas em geral, não deve ser realizado antes do primeiro ano de vida, além de ser um processo, não um evento. Muitas mulheres preferem um desmame natural, ou seja, permitir que o bebê decida o momento de parar. Outras fazem um desmame gentil, que é um processo tranquilo de retirada das mamadas de forma paulatina. O que não se deve fazer em hipótese alguma é um desmame abrupto, pois ele pode gerar traumas na criança e trazer problemas alimentares. Os profissionais não devem intervir na decisão da mãe e nem pressioná-la para o desmame. Hoje já existem estudos sobre a amamentação prolongada e seus benefícios.

 

– E os benefícios da amamentação para a mãe?

Resposta: para a mulher também existem muitos benefícios: o aleitamento materno promove prevenção da hemorragia pós-parto, favorece o retorno do útero mais rápido, em algumas situações auxilia na perda de peso gestacional, evita nova gestação (apenas se o aleitamento for exclusivo e em livre demanda, com frequência de 8-12 mamadas em 24 horas até o 6 meses), previne o câncer de mama e de colo de útero.

*Entrevista concedida à revista Nossos Filhos, do Colégio Nobel de Maringá, em setembro de 2017

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