Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Os problemas maternos e o leite insuficiente: saiba como prevenir!

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Não são apenas os problemas de técnica da amamentação que podem levar à redução na extração do leite materno; algumas dificuldades maternas também atrapalham. Veremos hoje como prevenir ou tratar precocemente tais problemas para que a mulher consiga manter a amamentação exclusiva e para que o bebê obtenha leite suficiente.

 

Alguns fatores psicológicos da mãe que podem interferir são:

 

A falta de confiança da mulher na capacidade de produzir leite e nutrir seu filho interfere diretamente na descida do leite. O hormônio ocitocina é liberado num ambiente emocional favorável, com tranquilidade, desejo de amamentar, rede de apoio e confiança.

 

Da mesma forma ocorre com a preocupação, stress e o cansaço, que interferem diretamente na liberação de ocitocina. Ao liberar adrenalina no sangue, a ocitocina não consegue agir nos alvéolos, liberando o leite produzido pelo hormônio prolactina. O resultado é uma mama inicialmente cheia, mas que o bebê suga e pouco é liberado; ele então começa a chorar, pegar e soltar. Muitas vezes a mulher acaba cedendo ao leite artificial e a produção materna cai por redução do estímulo da mama;

 

Algumas mulheres não desejam ou não gostam de amamentar ou rejeitam o bebê. Essa é uma realidade que precisa ser dita e abordada. Nesses casos, ela pode tentar conscientemente, porém irá esbarrar no inconsciente (muitos casos de ingurgitamento, fissuras, choro excessivo do bebê estão mais relacionados ao emocional materno do que propriamente à redução na produção láctea ou dificuldades de extração de leite por parte do bebê). A mulher necessita de apoio emocional de um profissional capacitado.

 

No que se refere aos fatores físicos maternos que podem interferir na liberação ou extração de leite, alguns itens são importantes:

 

O uso de anticoncepcionais orais podem reduzir a produção temporariamente, especialmente se os anticoncepcionais orais forem combinados de hormônio progesterona e estrógeno, por isso a indicação mais adequada, no caso desse tipo de contracepção, seria a pílula apenas de progesterona. Ainda assim, algumas mulheres percebem redução na produção do leite. Os diuréticos podem inibir a lactação, por isso são desaconselhados.

 

– A ocorrência de uma nova gestação pode promover redução da produção de leite de forma temporária, assim como no uso de anticoncepcionais orais. Com o conhecimento e compreensão de que é uma fase que logo passa, a mulher sente-se segura em manter a amamentação exclusiva. Além da possibilidade de alteração do volume, o sabor do leite também pode mudar.

 

– A ocorrência de desnutrição grave na mulher, uso de álcool e tabaco também são fatores que podem reduzir a liberação e consequentemente a ingestão de leite por parte do bebê, por isso a importância de uma alimentação saudável e nutritiva. No caso do tabaco e álcool, ainda há o agravante de ser transferido ao bebê pelo leite, por isso a mulher não deve beber e fumar na gestação e amamentação.

 

– Por fim, algumas situações raras também podem acontecer, como retenção placentária e o pouco desenvolvimento mamário. No caso da retenção placentária, os hormônios gestacionais impedem que prolactina e ocitocina estejam em altos níveis. Só após sua liberação a lactação pode ser estabelecida. Quanto ao pouco desenvolvimento mamário, esta alteração pode impedir que alguns alvéolos trabalhem na produção e liberação do leite, com consequente redução na produção.

 

Muitos desses problemas maternos podem ser prevenidos e tratados, permitindo que a amamentação transcorra sem maiores dificuldades. Outros, como a desnutrição grave e o desenvolvimento mamário reduzido necessitarão de intervenção médica e acompanhamento profissional.

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