Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

O que são disfunções orais no bebê?

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Após o nascimento, são raros os casos dos bebês que mamam sem dificuldades. A cirurgia cesariana, a separação mãe-bebê, o uso de complementos de forma precoce, indicações inadequadas para uso de bicos artificiais, conchas, intermediários de silicone e afins já podem causar as primeiras dificuldades.

Além disso, ainda temos a própria adaptação entre mãe e bebê, que pode demorar alguns dias para se estabelecer e nesse momento algumas dificuldades podem acontecer: dificuldades para conseguir a pega correta, a melhor posição, o esvaziamento da mama,  contornar o sono do bebê para que ele consiga mamar o necessário, etc.

Apesar das práticas hospitalares, orientações equivocadas e a própria adaptação favoreçam a ocorrência de dificuldades de amamentação, em muitas situações são as disfunções motoras orais que incomodam as mães e mantém as dificuldades por dias e até semanas após o parto.

Nos casos de dificuldades de pega e posição, o manejo clínico da lactação resolve os problemas, muitas vezes rapidamente. No caso de orientações inadequadas, eliminar o uso dos bicos, produtos, cremes e leites artificiais melhoram a técnica do aleitamento materno.

No entanto, no caso das disfunções orais, a atenção especializada pode ser necessária. Mas, o que são as disfunções orais?

Disfunções orais são alterações na fisiologia da sucção, que podem acometer a ação dos músculos, posturas ou movimentos das estruturas orais. Podem ocorrer por uso de bicos, imaturidade do recém-nascido, alterações neurológicas ou não ter uma causa definida. A questão é que as disfunções orais são uma verdadeira dor de cabeça para as mães, pois o bebê não consegue a pega, sucção, ordenha de leite suficiente, o que pode gerar dor, choro, mamadas muito longas ou muito curtas, stress durante a mamada, dificuldade de manutenção da pega da mama.

Quais são as disfunções orais que podem acometer os recém-nascidos?

  • reflexo de procura reduzido ou ausente: quando o bebê, ainda que com fome, não consegue procurar e pegar a mama corretamente
  • reduzida abertura da boca: é muito comum e isso dificulta a pega correta, já que a boca deve estar bem aberta para pegar boa parte da aréola. Quando a boca do bebê não abre o suficiente, ele pega o mamilo, o que traz desconforto, fissuras e dificuldades em extrair o leite da mama
  • língua retraída: para o aleitamento materno, a língua deve estar posicionada acima do lábio inferior, para que apreenda a aréola e realize a ordenha. Com a língua para trás, há reduzida extração de leite e a mãe pode se queixar de dor, pois a gengiva do bebê “morde” a aréola ou o mamilo
  • língua elevada: com a língua elevada, a amamentação não é possível, pois a aréola fica posicionada abaixo dela, impedindo completamente a sucção. Isso acontece por tensão excessiva da musculatura da língua. O bebê suga apenas sua própria língua e a mãe não sente a sucção.
  • reduzida movimentação da mandíbula: o segredo da extração de leite na amamentação são os 4 movimentos mandibulares (abertura, abaixamento, projeção e retração). Sem essa movimentação, a massagem da mama não ocorre e, consequentemente, a extração do leite fica prejudicada.
  • atividade exacerbada dos bucinadores (músculos da bochecha): os músculos da bochecha são importantes apenas para manter a mama na cavidade oral do bebê; ao estarem em atividade exacerbada, a mãe percebe que há estalos na sucção, com contração da bochecha (covinha). Em geral a mãe sente dor ao amamentar e podem aparecer fissuras, pois o bebê suga por pressão negativa.
  • sucção com pressão intraoral reduzida: quando o bebê suga sem força e solta a mama com frequência. O fato de não conseguir manter a mama na cavidade oral demonstra que não está conseguindo a pressão intraoral mínima para conseguir extrair o leite. Nesse caso a mãe não sente dor, não sente o bebê sugar, mas ele solta muito a mama, chora e solicita mamadas muito frequentes, pois não consegue esvaziar a mama.
  • lábios invertidos (para dentro): no aleitamento, os lábios do bebê devem estar evertidos, ou seja, para fora, com “boca de peixe” como dizemos. Essa postura permite que o bebê abocanhe adequadamente a mama e os lábios fazem pressão para manter o vedamento e auxiliar na manutenção da pressão intraoral. Quando o bebê permanece com os lábios invertidos, pode haver dor e a pega passar para o mamilo facilmente.
  • Padrão mordedor: é quando o bebê abre a boca, pega corretamente a mama, mas logo em seguida a mãe sente que ele mordeu, passando a pegar de forma incorreta. Esse padrão gera dor e incômodo, além de dificultar a extração de leite.
  • tensão oral excessiva: quando o bebê apresenta tensão de toda a musculatura oral, impedindo que abra a boca, permaneça com os lábios evertidos (para fora), que a língua anteriorize, que realize os movimentos adequados para o aleitamento materno. O bebê está com a musculatura tensa e tem muita dificuldade de pegar, manter a pega correta, sugar e extrair o leite.

 

O que fazer ao identificar uma disfunção oral no bebê? Procure atendimento especializado. Profissionais de fonoaudiologia com capacitação em Fonoaudiologia Hospitalar ou Aleitamento Materno estão habilitados para intervir na ocorrência das disfunções orais do bebê!

 

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