Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

O que realmente aumenta a produção de leite?

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O maior desejo das mulheres é produzirem leite em abundância para seu filhos e, de preferência, ter leite sempre sobrando. É uma questão recorrente nos grupos de apoio ao aleitamento o que uma mãe deve fazer para aumentar a produção de leite.

 

Algumas estão ansiosas porque o bebê perdeu peso ou não ganhou o que é determinado para ele; outras porque seu leite reduziu muito e desejam manter a amamentação e outras ainda simplesmente porque sentem que a mama não enche mais como antes.Há muitas receitas caseiras, dicas e orientações. Algumas podem realmente ajudar e outras, até atrapalhar, por isso é importante a mãe ter conhecimento do que está ocorrendo no seu corpo, as possíveis causas de redução da produção láctea e, finalmente as orientações baseadas em evidências científicas.

 

Após o parto a produção de colostro tem início. O colostro é um leite inicial, com reduzido volume, porém extremamente concentrado, com muitos nutrientes e anticorpos. Entre 3-7 dias após o parto é este o leite que o recém-nascido necessita para suprir todas as suas necessidades. As mamas, muitas vezes, não estão cheias, endurecidas ou com qualquer sintoma e esse leite é produzido de acordo com a capacidade gástrica do bebê: 3-5 ml por mamada. Com o estímulo da mama realizado pelo bebê na ordenha de leite, é que haverá estímulo para a descida de leite ou apojadura. Dessa forma, para aumentar o leite e favorecer sua descida, quanto mais o bebê mamar, melhor.

 

Com a apojadura, há percepção das mamas rígidas, cheias, doloridas. O leite pode vazar e muitas vezes a mulher precisará retirar o leite que sobra das mamadas. Isso é normal, porém, com o tempo, o organismo se adapta às necessidades do lactente e a produção de leite se normaliza. Algumas mães se sentem preocupadas porque acreditam que seu leite está secando, no entanto, é um processo natural. Todo período que o bebê necessitar de maior produção láctea (especialmente nos picos ou saltos de crescimento), solicitará amamentar mais e, consequentemente, o leite aumentará.

 

A ingestão de água é muito importante durante todo o processo de lactação e deve ser incentivada sempre que a mãe tiver sede. Esse é o termômetro da ingestão, pois a sede revela a necessidade de hidratação. Alguns autores alertam para o risco da ingestão exagerada de água ou líquidos afirmando que pode haver, na melhor das hipóteses, manutenção da produção láctea até uma associação com redução na produção de leite, ainda que não significativa.

 

Há também várias indicações de outros líquidos e alimentos para aumentar a produção: água inglesa, cerveja preta, canjica, chá mate, sopas, etc, no entanto é importante destacar que a mulher não deve ingerir nada alcoólico e deve evitar cafeína. Melhor ingerir sucos naturais, água de coco ou água. Muito cuidado com chás, ervas que são ditas naturais, mas podem trazer efeitos indesejados!

 

Uma indicação arriscada é a de uso de medicamentos que, como efeito colateral, podem aumentar a produção de leite. Infelizmente é uma prática comum, porém o efeito sobre a produção é limitado e há diversos efeitos colaterais para mãe e bebê. Os medicamentos não devem ser utilizados apenas para esse fim (Metoclopramida ou Domperidona), pois pode trazer efeitos extrapiramidais e alterações cardíacas. No caso de psicofármacos e antipsicóticos, o uso vai depender da avaliação de riscos/benefícios quando houver indicação para uso na mãe. Não deve ser utilizado com a única finalidade de aumentar a produção de leite!
O uso de ocitocina spray não é indicado, pois a ocitocina é um hormônio que atua nas células mioepiteliais dos alvéolos, contraindo tais músculos e liberando o leite, o que quer dizer que sua finalidade é liberar o leite que já se encontra na mama e não aumentar sua produção.

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