Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Meu bebê tem cólica: o que fazer?

6518 Views 0 Comment

A cólica é caracterizada pela dor abdominal aguda decorrente de uma contração involuntária dos músculos do intestino. Com a dor, vem o choro inconsolável, que pode se prolongar por horas, irritação, movimentos corporais intensos, vermelhidão facial e movimentos de cabeça. Pode vir acompanhado de gases, mas sempre acompanhado de frustração e preocupação da mãe, pai e familiares, pois o principal sintoma, e o mais difícil de eliminar, é o choro do bebê sem causa aparente.

 

É importante lembrar que nem todo o choro é por cólica, mas o choro de cólica é de dor, estridente, agudo, crescente, na maioria das vezes sem tratamento efetivo, que é considerado um fenômeno biológico resultante de:

 

  • alterações gastrointestinais – pela imaturidade fisiológica do sistema gastrointestinal (alteração da motilidade intestinal, hipertonicidade congênita, alergias, contrações intestinais exacerbadas resultantes da liberação de hormônios intestinais ou ação vagal, aumento da pressão retal, excesso de deglutição de ar)
  •  alterações não gastrointestinais – temperamento da criança, tensão e ansiedade dos pais, depressão materna, personalidade materna, problemas na dinâmica familiar e a possibilidade de sequelas emocionais (Murahovisch, 2003).

 

Ainda hoje se utilizam os critérios da regra dos 3 para identificar a presença de cólica no lactente:

1) cólica com duração de menos de 3 horas

2) com ocorrência por ao menos 3 dias por semana e por 3 semanas seguidas

3) desaparecimento aos 3 meses de idade do bebê.

Além disso, a cólica é mais comum no período do final da tarde e início da noite, podendo ocorrer entre 19 e 23 horas.

 

Quando o choro foge ao protocolo da regra dos 3, que ainda é bastante utilizada para o diagnóstico da cólica no lactente, é necessário investigar

– doenças,

– fome (no caso de problemas na amamentação),

– refluxo gastroesofágico ou

– alergia à proteína do leite de vaca (APLV).

 

Alguns estudos revelam que o uso de medicamentos não é eficaz no combate à cólica e que os bebês amamentados exclusivamente possuem menos cólica do que os que recebem leite de vaca, além de ocorrer mais tardiamente nos bebês em aleitamento materno. Além disso, alguns estudos apontam que há benefícios na exclusão de leite e derivados da dieta materna, porém ainda há controvérsias na literatura.

 

Saavedra et al (2004) indicam que pode haver melhora do quadro de cólica quando a mãe modifica o seu comportamento para com o bebê, como por exemplo, não deixá-lo chorar, realizar o embalo, pegar no colo. Além disso, existem evidências de que as mães de bebês com cólica são mais depressivas, cansadas, com dificuldades para atender as necessidades de seu filho, o que também pode se revelar nas dificuldades de amamentação. Kosminisky e Kimura (2004) ainda relataram que experiências de trauma de parto, stress, problemas físicos, fatores relacionados à ansiedade materna, isolamento social e insegurança materna nos cuidados com o bebê podem ser fatores que pioram a cólica.

 

Quanto ao tratamento da cólica, é muito comum o uso de chás, no entanto essa prática gera riscos para o desmame precoce, para a nutrição e da ocorrência de doenças diarreicas. Outros tratamentos comuns incluem uso de chupeta e substâncias adocicadas (que não são recomendadas porque podem levar ao desmame precoce), medicamentos e estratégias físicas como calor local, massagem, pressão e contato físico. Apesar das práticas, a literatura aponta que o aleitamento exclusivo em livre demanda e o Método Canguru (contato mãe-bebê) ainda são as práticas mais indicadas para amenizar o choro resultante da cólica. Kosminisky e Kimura (2004) ainda relataram que, em estudo, observou-se que embora não exista tratamento efetivo ou cura para a cólica do lactente, a orientação e apoio aos pais pode reduzir o choro.

 

Não há evidências de que outros alimentos ingeridos pela mãe possam causar ou piorar a cólica, por isso inicialmente não há restrição para sua alimentação, que deve ser composta de alimentos saudáveis e balanceados, sem excessos. As únicas restrições para o período de lactação é o álcool e cafeína, que passam pelo leite e produzem efeitos indesejáveis (agitação, irritabilidade, dificuldades de sono ou sonolência, sucção débil, dentre outros).

 

Dessa forma, é importante lembrar que a cólica é normal, não indicativa de problema de saúde, é autolimitada e não traz consequências ao bebê. O contato, o cuidado, a segurança familiar e o aleitamento materno são as formas mais eficazes de reduzir o choro do lactente e amenizar os espasmos.

0 Comments

Leave a Comment